Investidores estrangeiros levam 78% da oferta do Santander
TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo
Os investidores estrangeiros, a maioria fundos de pensão e de investimento, ficaram com 78% dos papéis do banco Santander Brasil, vendidos na maior oferta de ações do mundo em 2009. O resultado final da operação saiu ontem.
Dos papéis vendidos, 60% serão negociados diretamente na Bolsa de Nova York e só 40% na BM&F Bovespa, confirmando o favoritismo do mercado americano para negociação de papéis brasileiros. A captação do Santander aconteceu antes de o governo colocar o IOF de 2% para o investidor estrangeiro na Bolsa, fato que desestimula a entrada de recursos no país.
Na operação, o Santander Brasil captou R$ 13,2 bilhões -inicialmente, havia informado R$ 14,1 bilhões, mas o valor recuou com a venda parcial dos lotes suplementares e com o trabalho de estabilização nos preços, que envolve venda de papéis. Mesmo assim, seguiu à frente da abertura de capital da construtora chinesa CSCEC, que levantou US$ 7,34 bilhões (R$ 12,5 bilhões) em julho.
Diferentemente da maioria dos IPOs (ofertas iniciais de ações) brasileiros, a oferta do Santander foi simultânea no Brasil e nos EUA. Pela primeira vez, os investidores estrangeiros tiveram a opção de comprar os papéis no exterior sem ter de trazer dinheiro ao país.
Por esse motivo, havia uma expectativa no mercado de que a oferta brasileira tivesse uma adesão menor de estrangeiros, que prefeririam comprar os papéis nos EUA, país com custos menores e sem risco cambial.
O resultado ontem mostrou que 62% dos papéis vendidos no Brasil foram para estrangeiros, dentro do histórico das últimas ofertas. No auge dos IPOs, em 2007, os estrangeiros costumavam levar 75%. Neste ano, o IPO da VisaNet teve adesão de 57% de estrangeiros.
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