Após acordo com Lula, texto sobre partilha do pré-sal é aprovado
SOFIA FERNANDES
colaboração para a Folha Online, em Brasília
da Reuters, em Brasília
Atualizado às 14h40.
Depois do acordo em que o governo federal cedeu aos Estados produtores de petróleo parte dos royalties a que teria direito, a comissão especial criada na Câmara para apreciar o projeto de lei que trata da partilha da camada pré-sal aprovou nesta quarta-feira o texto básico do relator, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Os deputados debatem em seguida os destaques apresentados ao projeto, em que os integrantes da comissão tentam alterar o texto que será enviado ao plenário da Casa.
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O acordo que permitiu a votação foi fechado em reunião realizada na noite de terça-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os governadores Sergio Cabral (Rio de Janeiro) e Paulo Hartung (Espírito Santo), ambos do PMDB.
O governo abriu mão de parte da participação da União nos royalties do pré-sal para beneficiar esses Estados. Até a reunião de ontem, o relatório da partilha determinada uma parcela de 18% para os Estados produtores.
A União, que levava 27% (fora os 3% para mitigação de mudanças climáticas), agora vai ficar com 19% dos royalties. Segundo o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, tanto o governo federal como os Estados tiveram que ceder. Cabral e Hartung vieram a Brasília querendo 33% de royalties.
Pelo texto votado há pouco, os Estados e municípios não produtores continuarão a ganhar 44% dos royalties, divididos ao meio. O Fundo de Participação dos Municípios definirá a distribuição entre as cidades, e o Fundo de Participação dos Estados, dos Estados.
PSDB e DEM criticaram a mudança do regime de exploração de concessão para partilha e o fortalecimento da União no setor com a aprovação da proposta, que estabelece a Petrobras como operadora única do pré-sal.
"Estamos alterando a mais bem-sucedida estratégia de desenvolvimento industrial do país", afirmou durante a sessão o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES).
Já o PSOL viu no acordo entre governo e Estados produtores um viés eleitoral. "Essa negociação visou essencialmente articular a base aliada e garantir que ela chegue unificada a 2010", criticou o líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente (SP).
O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), rebateu as críticas de parte da oposição --o PPS apoiou o relatório--, dizendo que PSDB e DEM votaram contra o parecer devido a uma posição ideológica, sem debater devidamente o mérito do tema.
Por enquanto, nenhum projeto foi votado em plenário. O presidente Lula e o presidente da Câmara, Michel Temer, entraram em acordo para começar as votações esta semana. A oposição promete fazer obstruções caso alguns pleitos não sejam atendidos, como permissão do uso do FGTS para que acionistas minoritários acompanhem a capitalização da Petrobras.
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1 - Que todos querem participar dos bonus do pré-sal é fácil compreender. Mas vamos imaginar que por uma obra do destino estas operações causem uma enorme catástrofe ecológia e que tenhamos que pagar indenizações alguém ou outro Estado, como Argentina, por exemplo. Pergunto se os Estados brasileiros que ora desejam participar desta boquinha estarão também de acordo em arcar com os riscos (onus).
2 - Será que temos mesmo competência para fazer este tipo de perfuração ? Será que não corremos o risco de desabar o fundo do mar drenando água para o buraco ? Lembrem-se que uma burrada da Russia condenou o mar de Aral a secar.
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