BB chega a 20% do mercado de crédito no país após estratégia agressiva
GIULIANA VALLONE
da Folha Online
O foco na expansão do crédito e as aquisições da Nossa Caixa e de metade do banco Votorantim fizeram com que o Banco do Brasil atingisse participação histórica no mercado, de 20,1%, ao final do terceiro trimestre. A carteira total de operações do banco --que inclui prestações de garantias e carteira externa-- ficou em R$ 301,4 bilhões, crescendo 41% em 12 meses.
"Tivemos uma estratégia muito bem sucedida de expansão do crédito", afirmou o presidente d BB, Ademir Bendine, em entrevista nesta quinta-feira.
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Apenas entre as pessoas físicas, segmento favorecido pela incorporação da carteira de crédito consignado para servidores públicos da Nossa Caixa e de parte da carteira de veículos do Votorantim, a participação no mercado subiu de 13,2% para 22,3% entre setembro de 2008 e o mesmo mês deste ano.
O volume de recursos desembolsados para os consumidores ficou em R$ 85,7 bilhões, contra R$ 68,5 bilhões no segundo trimestre e R$ 43,4 bilhões no mesmo período do ano passado. Entre as empresas, destino da maior parte dos empréstimos do banco, os recursos cresceram 37,1% na comparação com o terceiro trimestre de 2008, para R$ 117 bilhões. A participação do BB nesse segmento é de 20,5% do mercado.
A taxa de inadimplência teve ligeira alta no trimestre, para 3,6%, ante 3,3% nos três meses anteriores, o que, segundo Bendine, pode ser explicado por uma operação de "destrava" no crédito rural já prevista nas provisões do banco. Ele ressaltou, porém, que houve queda nas taxas entre as pessoas físicas e jurídicas.
Para o presidente do BB, a inadimplência já atingiu o pico e está apresentando tendência de queda, que deve se manter nos próximos meses.
Projeções
Bendine afirmou que a perspectiva do banco é de que o crescimento na carteira de crédito supere a meta do banco para 2009, mas que, por enquanto, o BB não vai divulgar suas novas projeções. "Achamos, sim, que vai superar [a meta], mas ainda não sabemos em quanto", disse.
As previsões atuais do BB são de uma elevação de 13% a 17% na carteira, que, desconsiderando operações externas e garantias, é de cerca de R$ 270 bilhões. Para a carteira de consumo, a expectativa é de alta de 23% a 25%, e entre as empresas pode chegar a 19%.
Crédito imobiliário
O BB segue com a estratégia de aumentar os recursos destinados ao crédito imobiliário. Segundo o vice-presidente de Cartões e Novos Negócios de Varejo, Paulo Rogério Caffarelli, o banco mantém a meta de estar entre os três primeiros no segmento até 2013. Ele projeta que, em quatro anos, a carteira do BB neste segmento atinja até R$ 5 bilhões, sem ajustes.
Para 2009, a previsão é de que os recursos destinados ao setor cheguem a R$ 1,6 bilhão. No ano que vem, afirmou Caffarelli, o número deve dobrar.
Seguros
O presidente do BB afirmou ainda que a instituição continua desenhando o plano de reestruturação de sua área de seguros, que inclui a fusão com a espanhola Mafpre anunciada em outubro.
A meta é que o segmento seja responsável por 20% do lucro do banco nos próximos quatro anos.
O BB divulgou nesta quinta que fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 1,979 bilhão , 6% superior ao ganho de R$ 1,867 bilhão em igual período do ano anterior. O resultado foi impulsionado pela expansão do crédito.
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