Requião determina vistoria em estação da Monsanto no Paraná
JOSÉ MASCHIOda Agência Folha, em Londrina
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), determinou hoje que o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) faça vistoria na estação experimental da Monsanto do Brasil em Ponta Grossa, para avaliar a produtividade da área e o impacto ambiental com as pesquisas transgênicas no local. A estação está ocupada por 150 sem-terra que invadiram a unidade na última sexta-feira.
Requião nomeou o secretário do Trabalho e Ação Social, padre Roque Zimermann (PT), para negociar com os sem-terra a desocupação da estação, de 43 hectares e que era utilizada para pesquisa de campo em soja e milho geneticamente modificados. Padre Roque preside a Comissão de Medicação de Conflitos Agrários do Paraná.
Hoje, dois oficiais de Justiça foram à estação para notificar os invasores de decisão do Tribunal de Alçada do Paraná determinando a reintegração de posse à Monsanto do Brasil. Ouviram dos sem-terra que eles estão decididos a permanecer no local.
Em relatório assinado pelo oficial de Justiça José Roberto Pereira e enviado ao Tribunal de Alçada, um sem-terra, identificado como Célio pelo oficial, afirma que eles sabem que não haverá desocupação sem expressa autorização do governador. "Está na hora de testar o governador", teria dito Célio ao oficial que assina o relatório.
Hoje, por meio de sua assessoria, o governador Roberto Requião voltou a se manifestar "radicalmente" contra o plantio de transgênicos no Brasil, especialmente no Paraná.
O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Paraná quer transformar a estação experimental da Monsanto em unidade de pesquisas agroecológicas, que seriam desenvolvidas por MST, Federação dos Trabalhadores em Agricultura Familiar e ONGs (organizações não governamentais) ambientalistas.
"Vamos fazer um grande centro em agroecologia no local", disse Roberto Baggio, da coordenação estadual do MST. Baggio é o representante do MST no Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar), órgão consultivo do Programa Fome Zero, criado pelo governo Lula.
O líder do MST disse que a Monsanto do Brasil deveria se preocupar em pagar suas "pendências com o INSS [Instituto Nacional de Seguridade Social] e usar a estação para abater parte dessa dívida". Segundo Baggio, a Monsanto do Brasil deve cerca de R$ 44 milhões ao INSS.
Outro lado
O diretor de comunicação da Monsanto do Brasil, Lúcio Mocsany, 41, disse hoje que já houve um primeiro contato com o padre Roque Zimermann, da Comissão de Mediação de Conflitos Agrários. Segundo ele, a empresa vê com "bons olhos" uma saída negociada, "pacífica e acordada" para o impasse.
Mocsany afirmou que a Monsanto não tem preocupações com a vistoria determinada por Requião na unidade experimental de Ponta Grossa. "O local era de pesquisa, sem preocupação com produtividade e com relação ao impacto ambiental tudo foi feito dentro das normas determinadas pela CNTBio", disse. O CNTBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) é o órgão, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável pela biossegurança das plantas geneticamente modificadas no Brasil.
O diretor da Monsanto, no entanto, disse que a empresa não poderia se responsabilizar pelo que ocorreu após a última sexta-feira. "No pós-invasão do local, a responsabilidade deverá ser dos invasores", afirmou Mocsany.
Mocsany disse que a Monsanto do Brasil tem uma disputa-pendência com o INSS que "deve estar nas proximidades" dos R$ 44 milhões, valor que o líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) Roberto Baggio afirma ser a dívida da empresa ao INSS.
"Essa disputa-pendência se refere a passivos adquiridos das empresas de sementes que foram adquiridas pela Monsanto do Brasil e não dívidas, propriamente ditas, da empresa", afirmou Mocsany.

