Para voltar ao Brasil, emigrante precisa aprender a economizar
SÉRGIO RIPARDOda Folha Online
O Japão paga muito bem, mas o imigrante sofre preconceito e trabalha sem descanso. Se não economizar, ele corre o risco de voltar ao Brasil com as mãos abanando.
O conselho é do nissei Fernando Sato, 29, que saiu de São Paulo aos 16 anos, com a família, para passar oito anos em cidades como Kanagawa, Osaka e Ibaraki.
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Ele chegou a faturar por mês até US$ 4.000 (cerca de R$ 12 mil) com uma jornada das 8h da manhã às 10h da noite.
"Fazia hora extra ao máximo. Mas o corpo já estava cansado. Decidi então voltar, como já tinha feito a minha família."
Ele afirma que não se arrepende da experiência.
"Amadureci muito. Só acho que deveria ter guardado mais o dinheiro. Nas horas de folga, eu gastava muito com videogames e jogos em Akihabara [bairro do comércio eletrônico em Tóquio]."
Às vezes, ele pensa em voltar para levantar alguns ienes e, depois, retornar ao Brasil e montar o próprio negócio. Mas diz que hoje só aceitaria trabalhar em escritório, não mais no chão das fábricas.
Na capital paulista, o técnico em informática Sato reclama da crise do emprego e da cobrança de taxas municipais (lixo e iluminação).
"Como a renda é curta, meus clientes preferem deixar o micro quebrado e pagar as contas do supermercado. Em um mês bom, tirava R$ 800. Mas hoje falta serviço."
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