Renda do trabalhador tem nível mais baixo desde 1985
ROSE SASSARRÃOda Folha Online
O rendimento médio do trabalhador da Região Metropolitana de São Paulo nunca esteve em nível tão baixo quanto agora. Os dados fazem parte da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), divulgada pela Fundação Seade e o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos).
"Embora a renda tenha apresentado uma leve alta em abril, a bolsa inflacionária colocou os salários nos patamares mais baixos desde 1985", disse a gerente de análise e estudos da Fundação Seade, Paula Montagner.
Segundo a pesquisa, o rendimento médio dos ocupados foi de R$ 889 em abril contra R$ 869 em março. Mesmo com a alta de 2,2% entre os dois meses, o aumento não foi suficiente para compensar a redução de 10,5% que os rendimentos tiveram entre abril de 2002 e 2003. Em abril do ano passado, a renda média era de R$ 993. No mesmo mês de 1985, o rendimento médio hoje equivaleria a R$ 1.682.
Para o diretor do Dieese, Sérgio Mendonça, a pequena alta do rendimento nesse mês pode ser explicada por um fenômeno negativo. "Muitas pessoas que ganham salários mais baixos foram demitida. Com isso, o rendimento médio acaba subindo. Não pela alta nos salário, mas pela redução dos que recebem menos", disse.
Perspectivas
Os dois especialistas esperam uma redução do desemprego na região no segundo semestre. "Deve haver uma recuperação dos postos de trabalho, mas ela não será suficiente para reduzir drasticamente o problema do desemprego, que está em patamares muito altos", disse Mendonça.
A gerente da Fundação Seade afirmou que a redução dos juros e a queda na inflação podem ajudar na geração de vagas, mas não acabar com o problema. "Iniciamos o ano com uma taxa de desemprego muito alta, especialmente por causa da incerteza sobre as eleições. O mercado pode ter uma leve melhora no segundo semestre, mas a geração de postos ainda será tímida para curar o problema", disse Paula.
Emprego sem registro
Embora o desemprego tenha mantido a taxa recorde de 20,6% e a mais alta para o mês de maio, os especialistas da Fundação Seade e do Dieese comemoraram a geração de 66 mil postos de trabalho no mês passado. O fato de o número não ser suficiente para compensar a quantidade de pessoas que passou a procurar trabalho no mês passado (84 mil) não desanimou os dois.
"O crescimento de 0,9% dos postos deve ser comemorado já que, nos primeiros meses do ano, a geração de vagas foi pouca", afirmou Mendonça.
Das 66 mil vagas criadas, a maioria é sem registro em carteira ou autônoma.
O número de vagas sem carteira assinada no mês passado foi de 16 mil --5,1% maior que em abril. O número de autônomos também subiu em, 67 mil (alta de 2,8%). A maioria das novas ocupações foram criadas nas indústrias de pequeno e médio porte e no comércio.
"Isso mostra uma pequena recuperação. Sempre as vagas informais crescem primeiro para, depois, novas contratações com carteira serem registradas", disse Paula.


