Sem mexer na economia, reforma ministerial é desprezada pelo mercado
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SÉRGIO RIPARDOda Folha Online
Sem mexer na cúpula da equipe econômica, a primeira reforma ministerial do governo Lula é um fato secundário na visão dos analistas do mercado financeiro. Para os economistas, a ação dos novos ministros vai esbarrar na vontade do Ministério da Fazenda, que pretende manter sua política de aperto nos gastos públicos, como querem os credores do país.
No entanto, alguns analistas apontam a possibilidade de desgaste da imagem do governo com eventuais escândalos políticos com o envolvimento de algum "ministro emergente". Mas também minimizam esse risco dizendo que os nomes dos novos integrantes da Esplanada dos Ministérios já foram "testados" na mídia por meio de "balões de ensaio", surgindo apenas episódios sem gravidade moral.
"O menos importante é a qualidade das figuras que sobem ao gabinete. Talento e bons projetos não são suficientes para por dinheiro na mesa do ministro. Tendem a ser podados na área econômica, de modo que dificilmente vem por aí uma revolução no Executivo", diz o economista do Banco Fibra, Guilherme da Nóbrega.
Na sua opinião, o importante é ver a extensão do apoio que Lula terá no Congresso após as mudanças, principalmente dos parlamentares do PMDB, partido que ganhou dois ministérios.
"O apoio do partido ao governo é a régua que vai medir o êxito da reforma."
O economista-chefe do Banco Schahin, Cristiano Oliveira, a reforma ministerial não está no primeiro plano das atenções do mercado porque as mudanças não afetam a política econômica do governo [controle da inflação e corte de investimentos para economizar recursos e pagar os juros da dívida, por exemplo].
"As mudanças não estão relacionadas às variáveis para as quais o mercado financeiro costuma olhar", afirma Oliveira.
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