Crise política leva dólar aos R$ 3, com alta de mais de 1%
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ELAINE COTTAda Folha Online
O dólar comercial bate a cotação de R$ 3 na manhã de hoje após ter permanecido por seis meses abaixo desse patamar. A última vez em que o dólar encerrou o dia acima de R$ 3 foi no dia 21 de agosto do ano passado, quando atingiu R$ 3,005.
A moeda norte-americano já começou o dia pressionada e sobe mais de 1,4% nesta manhã. A tensão é provocada por mais uma denúncia, publicada na edição de hoje da revista "Época".
De acordo com a revista, o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República Waldomiro Diniz fez tráfico de influência em 2003, quando já trabalhava no Palácio do Planalto.
Na semana passada, a revista revelou uma fita de vídeo em que Waldomiro aparece cobrando contribuições de campanha e propina do empresário Carlos Augusto Ramos, em 2002.
Ontem, o dólar já havia cravado a maior cotação desde setembro passado, subindo pelo quinto dia consecutivo, com uma alta de 0,61%, vendido a R$ 2,96. O escândalo em Brasília ajuda a gerar incerteza no investidor e alimenta essa escalada da moeda, segundo analistas.
A proximidade do feriado do Carnaval também motiva a alta das cotações. Os bancos preferem redobrar a cautela, evitando assumir posições de risco em suas aplicações.
Ontem, o risco Brasil disparou 7%, aos 596 pontos, o maior patamar desde outubro de 2003. A Bovespa desabou 4,77%, segunda maior queda do ano.
O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking da desconfiança dos investidores estrangeiros. Neste ano, o risco brasileiro acumula alta de quase 26% e se aproxima a cada dia do quarto colocado, o da Nigéria.
Em 2002, o país africano, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, decretou moratória da dívida externa.
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