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23/03/2004 - 07h56

China quer investir em ferrovias no Brasil

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CLÁUDIA TREVISAN
da Folha de S.Paulo, em Pequim

Principal destino das exportações de soja e de minério de ferro do Brasil, a China pretende investir na recuperação e expansão da malha ferroviária brasileira, com o objetivo de garantir o fornecimento desses produtos a preços competitivos.

O modelo pelo qual esses investimentos serão feitos está sendo negociado pelos dois países e foi um dos pontos da visita do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a Pequim, prevista para durar até ontem.

O governo brasileiro estima que são necessários R$ 10 bilhões para o projeto, dos quais R$ 2 bilhões seriam aplicados na recuperação e R$ 8 bilhões na ampliação da malha ferroviária. Não está definido se os chineses entrarão com todos os recursos, mas é certo que deverão ser responsáveis pela maior parte dos investimentos.

Com uma população de 1,3 bilhão de pessoas, a China não quer correr riscos de ter problemas no seu abastecimento de alimentos e vê o Brasil como um fornecedor agrícola fundamental. Também quer ter segurança de continuar a receber grande volume do minério de ferro brasileiro, destinado à indústria siderúrgica. No ano passado, a China consumiu um terço de todo o aço produzido no mundo, graças principalmente ao ritmo alucinante de sua indústria de construção civil.

Para o Brasil, o investimento abriria a possibilidade de aumento da produção nos dois setores. A malha ferroviária está deteriorada e a precariedade da estrutura de escoamento ameaça impedir a ampliação da produção nacional.

Amorim disse ontem em Pequim que o projeto seria desenvolvido dentro da PPP (Parceria Público-Privada), modelo que transfere ao investidor a responsabilidade pelo financiamento da obra, que teria seu custo amortizado pelos lucros decorrentes de sua utilização.

Proposta

Um grupo de trabalho dos ministérios das Relações Exteriores, Transportes e Planejamento prepara uma proposta que deverá ser apresentada aos chineses antes da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país, em maio.

Amorim também discutiu acordos que podem ampliar a exportações de produtos agropecuários para a China. O que está mais avançado é o que levará à certificação da soja brasileira, medida que eliminará problemas que a mercadoria ainda enfrenta para entrar no país. O ministro convidou o governo chinês a visitar o Brasil para ver de perto as condições de produção de carne, na tentativa de derrubar as barreiras sanitárias ao produto in natura.

Outro acordo que poderá ser anunciado durante a visita de Lula é o que dá ao Brasil o status de destino autorizado pelo governo chinês para viagens turísticas de seus cidadãos. Hoje, o Brasil pode receber apenas chineses que viajam a negócios.

Os investimentos da China em ferrovias brasileiras foram discutidos no encontro que Amorim teve com o dirigente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Ma Kai. O ministro se reuniu ainda com os ministros dos Negócios Estrangeiros, Li Zhaoxing, e do Comércio, Bo Xai, e foi recebido pelo primeiro-ministro, Wen Jiabao.

A China se transformou no ano passado no terceiro destino das exportações brasileiras, atrás somente dos EUA e da Argentina. Além de negociar acordos sobre produtos agrícolas, Amorim demonstrou interesse no aumento das exportações de produtos industrializados para a China, um desafio, já que o país consegue produzir bens a preços bem mais baixos que o da maioria dos demais países.
 

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