Dinheiro
04/05/2004 - 15h17

Fed mantém taxa básica de juros nos EUA em 1% ao ano

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VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) fez o que todos os países e mercados financeiros esperavam ansiosamente, manteve hoje a taxa básica de juros dos EUA em 1% ao ano.

Na última vez em que mexeu nos juros, o Fed reduziu a taxa de 1,25% ao ano para 1% (a mais baixa desde 1958), patamar em que vem sendo mantida desde junho de 2003.

Nos últimos dias, o mercado financeiro tem mostrado bastante nervosismo com o provável aumento dos juros nos EUA. No Brasil, o dólar começou a se aproximar dos R$ 3, o risco-país subiu de patamares próximos a 400 pontos no começo do ano para quase 700 pontos e a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve no mês passado seu pior mês em mais de um ano e meio.



As taxas projetadas nos mercados futuros indicam que o banco central americano deverá aumentar os juros em agosto. Alguns analistas, no entanto, dizem que o aumento pode ser anunciado ainda em junho.

No mercado, porém, há quem considere a cautela de Greenspan uma atitude arriscada diante dos sinais de pressão inflacionária. O índice do deflator, que serve para atualizar os valores utilizados no cálculo do PIB, apresentou uma taxa anualizada de 2,5% nos primeiros três meses deste ano.

Há também os que dizem que os juros nos EUA só começarão a aumentar em 2005. "Quando eles [membros do Fomc] começarem a aumentar a taxa de juros, o farão de um modo cauteloso e vão nos dar vários alertas antes da decisão", disse o economista-chefe da corretora Wells Fargo, Sung Won-sohn.

Greenspan

O presidente do Fed, Alan Greenspan, deu um susto no mercado em seu testemunho no Congresso, no dia 21 de abril, quando deu a entender que o aumento dos juros estava a caminho. "Como já observei antes, a taxa deverá subir em algum ponto para evitar pressões para que os preços venham eventualmente a subir", disse Greenspan ao Congresso.

Mas Greenspan não disse quando a taxa seria alterada. Os dados econômicos coletados nos últimos meses nos EUA davam a entender que o crescimento nos níveis de atividade econômica iria ocasionar uma alta de juros. A economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 4,2% no primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados na semana passada.

Já a inflação subiu bem mais do que o previsto no período. A inflação medida pelos gastos de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) mostrou um crescimento de 3,8% na comparação com o resultado do trimestre anterior, que foi de 3,2%. Esse é o principal índice de inflação observado por Greenspan.

No mercado de trabalho, foram criados 308 mil postos de trabalho, maior número em quatro anos. Segundo economistas, no entanto, é preciso que surjam entre 150 mil e 200 mil empregos por mês, em um ritmo sustentável. O mercado de trabalho tem se mostrado um ponto fraco da atual administração federal americana. O país perdeu mais de 2 milhões de empregos desde que o presidente George W. Bush assumiu a Casa Branca, em 2001.
 

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