Dinheiro
10/06/2004 - 16h55

Para Fórum Civil, países ricos querem esvaziar Unctad

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da Folha Online

O FSC (Fórum da Sociedade Civil) que abre amanhã em São Paulo e acontece simultaneamente à Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), criticou hoje o modelo econômico de dependência da entrada de capitais de risco adotado por alguns países em desenvolvimento.

Segundo Iara Pietricovsky, coordenadora da Rebrip (Rede Brasileira pela Integração dos Povos), "a intenção dos Estados Unidos e da União Européia (UE) é reduzir a Unctad a um órgão de assessoramento técnico para os países em desenvolvimento, especialmente os da África e isso seria um retrocesso".

"Os países do hemisfério Sul são financiadores do capitalismo internacional, devido à transferência líquida de recursos como forma de pagamento de juros de suas dívidas externas e remessa de lucros das companhias multinacionais aos países ricos. Isso inviabiliza o desenvolvimento dos países pobres", disse Iara Pietricovsky.

Jorge Eduardo Durão, diretor-geral da Abong (Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais), declarou que "um dos objetivos do FSC é apoiar o mandato abrangente da Unctad (United Nations Conference on Trade and Development).

Para ele, a Unctad é o único órgão da governança global que faz uma crítica consistente ao modelo macroeconômico aplicado hoje no comércio internacional e que atende aos interesses dos países ricos, alinhados à OMC (Organização Mundial do Comércio).

De acordo com a Cepal (Comissão Econômica Para a América Latina), no período de 1995 a 2003, em que, excluindo os anos iniciais do Plano Real, no Brasil, quando houve acúmulo de capital externo para financiamento, a América Latina enviou (de 1998 a 2003) cerca de US$ 46,2 bilhões a mais do que recebeu do exterior.

O Brasil, por sua vez, respondeu nesse mesmo período por US$ 111 milhões em envio de capitais, o que corresponde a 0,24% do total das transferências líquidas da América Latina.

O FSC --que contará com a presença de mais de 200 ONGs que representam cerca de 60 países-- tem uma programação de debates e discussões que acontecerá dentro da conferência da ONU e outra que inclui manifestações de rua contra a globalização econômica segundo padrões dos países ricos e das transnacionais.

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