23/06/2004
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13h17
da Folha Online
A Argentina tomou medida semelhante à adotada pela Rússia na semana passada e suspendeu a partir de hoje a importação de qualquer tipo de carne bovina ou suína produzida no Brasil.
Assim como ocorreu com os russos, a decisão dos argentinos foi tomada depois que o Brasil confirmou a existência de um foco de febre aftosa no município de Monte Alegre, no noroeste do Estado do Pará.
Esse foi o primeiro foco registrado no país após 34 meses e está localizado numa área ainda em fase de implementação do sistema de defesa sanitária animal. O último caso da doença havia sido identificado no Maranhão em 2001.
De acordo com a Senasa (Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar, da Argentina), o país vizinho aguarda agora o envio de maiores informações por parte do governo brasileiro. Além disso, será dado um prazo para que a doença seja eliminada dos rebanhos, que oscila em cerca de 40 dias, até que as importações sejam liberadas novamente.
A Argentina não é uma grande compradora de carne brasileira. Ao contrário, o país vizinho exporta carne para o Brasil, que tem uma balança comercial deficitária em cerca de US$ 8,59 milhões com os argentinos nesse segmento.
De acordo com dados da Abic (Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne), entre janeiro e abril desde ano, o Brasil exportou 23,1 toneladas do produto, o equivalente a US$ 11,79 mil. Já as importações somaram 3,98 mil toneladas, cerca de US$ 8,6 milhões.
Rússia
A suspensão de importação de carne pela Rússia provocou impacto muito maior na balança comercial. A importação argentina não é significativa, mas a Rússia responde por 12% das vendas externas de carnes pelo Brasil.
Segundo o governo, de janeiro a maio deste ano, foram embarcadas para o mercado russo 217,8 mil toneladas de carnes suínas, bovinas e de frango. No ano passado, o Brasil exportou para a Rússia 612 mil toneladas de carnes, o que gerou receita de US$ 595,2 milhões.
Desde o começo da semana, representantes da embaixada do Brasil em Moscou têm se reunido com autoridades russas para explicar a ocorrência de febre aftosa no Pará e tentar reverter a suspensão das importações da carne brasileira.
Certificação
A descoberta do foco atrasa a meta do Ministério da Agricultura, que era de erradicar a doença até 2005 para receber da OIE (Organização Internacional de Saúde Animal) o certificado de 'país livre de febre aftosa com vacinação'.
A febre aftosa, causada por um vírus (do gênero aftovírus), ataca bovinos, suínos e caprinos. Embora não cause danos para a saúde dos consumidores de carne, a doença se transmite rapidamente entre os animais, trazendo prejuízos aos produtores.
Por essa razão, países como o Japão e os EUA não importam carne fresca do Brasil. Outras regiões consumidoras, como a Europa, aceitam importar apenas o gado brasileiro produzido na região livre de aftosa.
O local da fazenda na qual apareceu o foco da doença está a 700 quilômetros da atual zona livre da doença, reconhecida internacionalmente, e a quase 100 quilômetros da área do Estado do Pará reconhecida pelas autoridades brasileiras como livre de febre aftosa com vacinação.
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Após Rússia, Argentina também suspende importação da carne brasileira
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ELAINE COTTAda Folha Online
A Argentina tomou medida semelhante à adotada pela Rússia na semana passada e suspendeu a partir de hoje a importação de qualquer tipo de carne bovina ou suína produzida no Brasil.
Assim como ocorreu com os russos, a decisão dos argentinos foi tomada depois que o Brasil confirmou a existência de um foco de febre aftosa no município de Monte Alegre, no noroeste do Estado do Pará.
Esse foi o primeiro foco registrado no país após 34 meses e está localizado numa área ainda em fase de implementação do sistema de defesa sanitária animal. O último caso da doença havia sido identificado no Maranhão em 2001.
De acordo com a Senasa (Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar, da Argentina), o país vizinho aguarda agora o envio de maiores informações por parte do governo brasileiro. Além disso, será dado um prazo para que a doença seja eliminada dos rebanhos, que oscila em cerca de 40 dias, até que as importações sejam liberadas novamente.
A Argentina não é uma grande compradora de carne brasileira. Ao contrário, o país vizinho exporta carne para o Brasil, que tem uma balança comercial deficitária em cerca de US$ 8,59 milhões com os argentinos nesse segmento.
De acordo com dados da Abic (Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne), entre janeiro e abril desde ano, o Brasil exportou 23,1 toneladas do produto, o equivalente a US$ 11,79 mil. Já as importações somaram 3,98 mil toneladas, cerca de US$ 8,6 milhões.
Rússia
A suspensão de importação de carne pela Rússia provocou impacto muito maior na balança comercial. A importação argentina não é significativa, mas a Rússia responde por 12% das vendas externas de carnes pelo Brasil.
Segundo o governo, de janeiro a maio deste ano, foram embarcadas para o mercado russo 217,8 mil toneladas de carnes suínas, bovinas e de frango. No ano passado, o Brasil exportou para a Rússia 612 mil toneladas de carnes, o que gerou receita de US$ 595,2 milhões.
Desde o começo da semana, representantes da embaixada do Brasil em Moscou têm se reunido com autoridades russas para explicar a ocorrência de febre aftosa no Pará e tentar reverter a suspensão das importações da carne brasileira.
Certificação
A descoberta do foco atrasa a meta do Ministério da Agricultura, que era de erradicar a doença até 2005 para receber da OIE (Organização Internacional de Saúde Animal) o certificado de 'país livre de febre aftosa com vacinação'.
A febre aftosa, causada por um vírus (do gênero aftovírus), ataca bovinos, suínos e caprinos. Embora não cause danos para a saúde dos consumidores de carne, a doença se transmite rapidamente entre os animais, trazendo prejuízos aos produtores.
Por essa razão, países como o Japão e os EUA não importam carne fresca do Brasil. Outras regiões consumidoras, como a Europa, aceitam importar apenas o gado brasileiro produzido na região livre de aftosa.
O local da fazenda na qual apareceu o foco da doença está a 700 quilômetros da atual zona livre da doença, reconhecida internacionalmente, e a quase 100 quilômetros da área do Estado do Pará reconhecida pelas autoridades brasileiras como livre de febre aftosa com vacinação.
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