28/07/2004
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09h16
da Folha Online, em Brasília
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota, pediu demissão hoje do cargo.
Candiota disse ter tomado a decisão devido às denúncias publicadas no último final de semana pela revista "IstoÉ", que apontam ele e o presidente do BC, Henrique Meirelles, como alvos de investigação do Ministério Público e da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banestado por suspeita de sonegação fiscal e evasão de divisas.
O presidente do BC é acusado de não fazer declaração de imposto de renda de residentes no exterior enquanto esteve fora do país e, ao mesmo tempo, ter se apresentado ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) como residente, para poder concorrer a deputado por Goiás em 2002. Já Candiota é acusado de ter uma conta no Uruguai, não declarada para a Receita Federal.
Como Meirelles residia nos EUA nos anos em que é acusado de sonegação, ele não precisava apresentar declaração de rendimentos no Brasil. Já para concorrer a deputado federal, precisava ter domicílio no Brasil um ano antes do pleito.
Em pronunciamento feito hoje, Meirelles negou mais uma vez que as denúncias sejam verídicas e afirmou que a decisão de afastar Candiota do cargo partiu do próprio diretor. "Respeitamos a decisão pessoal do Candiota. Essa atitude não foi tomada pelo governo", disse Meirelles.
O presidente do BC também negou que tenha ele próprio pensado em se afastar do cargo por conta das denúncias.
"São denúncias inconsistentes. A jurisprudência é firmadora e está totalmente esclarecida na nota emitida pelo Banco Central na última sexta-feira", disse.
Em entrevista, Candiota preferiu ler o pedido de demissão que encaminhou ao presidente do BC e ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em que afirmou ter optado pelo afastamento para "preservar" a imagem do Banco Central e do Brasil. Ele também voltou a negar as acusações.
"Entendo que na minha permanência na função, a partir de agora, será prejudicial ao Banco Central do Brasil, ao mercado financeiro e ao país, pois as acusações à minha pessoa acabam por atingir o órgão de que faço parte", disse. "Por essas razões, solicitei a minha exoneração imediata", afirmou.
Substituto
Para a direção de Política Monetária, Meirelles e Palocci, indicaram Rodrigo Telles de Rocha Azevedo.
Gaúcho, Rocha Azevedo é bacharel em economia pela Universidade de São Paulo e doutor em economia pela universidade Illinois (EUA). Foi analista da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo e atualmente ocupava o cargo de diretor-executivo do Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston.
Como a indicação de Rocha Azevedo ainda deve ser aprovada pelo Senado e como a exoneração de Candiota é imediata, sua função será acumulada por outro diretor do BC interinamente.
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ELAINE COTTAda Folha Online, em Brasília
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota, pediu demissão hoje do cargo.
Candiota disse ter tomado a decisão devido às denúncias publicadas no último final de semana pela revista "IstoÉ", que apontam ele e o presidente do BC, Henrique Meirelles, como alvos de investigação do Ministério Público e da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banestado por suspeita de sonegação fiscal e evasão de divisas.
O presidente do BC é acusado de não fazer declaração de imposto de renda de residentes no exterior enquanto esteve fora do país e, ao mesmo tempo, ter se apresentado ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) como residente, para poder concorrer a deputado por Goiás em 2002. Já Candiota é acusado de ter uma conta no Uruguai, não declarada para a Receita Federal.
Jamil Bittar/Reuters |
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| Luiz Augusto Candiota pede demissão do cargo |
Como Meirelles residia nos EUA nos anos em que é acusado de sonegação, ele não precisava apresentar declaração de rendimentos no Brasil. Já para concorrer a deputado federal, precisava ter domicílio no Brasil um ano antes do pleito.
Em pronunciamento feito hoje, Meirelles negou mais uma vez que as denúncias sejam verídicas e afirmou que a decisão de afastar Candiota do cargo partiu do próprio diretor. "Respeitamos a decisão pessoal do Candiota. Essa atitude não foi tomada pelo governo", disse Meirelles.
O presidente do BC também negou que tenha ele próprio pensado em se afastar do cargo por conta das denúncias.
"São denúncias inconsistentes. A jurisprudência é firmadora e está totalmente esclarecida na nota emitida pelo Banco Central na última sexta-feira", disse.
Em entrevista, Candiota preferiu ler o pedido de demissão que encaminhou ao presidente do BC e ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em que afirmou ter optado pelo afastamento para "preservar" a imagem do Banco Central e do Brasil. Ele também voltou a negar as acusações.
"Entendo que na minha permanência na função, a partir de agora, será prejudicial ao Banco Central do Brasil, ao mercado financeiro e ao país, pois as acusações à minha pessoa acabam por atingir o órgão de que faço parte", disse. "Por essas razões, solicitei a minha exoneração imediata", afirmou.
Substituto
Para a direção de Política Monetária, Meirelles e Palocci, indicaram Rodrigo Telles de Rocha Azevedo.
Gaúcho, Rocha Azevedo é bacharel em economia pela Universidade de São Paulo e doutor em economia pela universidade Illinois (EUA). Foi analista da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo e atualmente ocupava o cargo de diretor-executivo do Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston.
Como a indicação de Rocha Azevedo ainda deve ser aprovada pelo Senado e como a exoneração de Candiota é imediata, sua função será acumulada por outro diretor do BC interinamente.
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