Dinheiro
01/12/2004 - 20h31

Brasil tem menor taxa de risco desde a crise da Ásia

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

O chamado risco Brasil, indicador externo que reflete a capacidade de pagamento da dívida brasileira, caiu hoje mais 1,7% e voltou à casa dos 403 pontos.

Trata-se do menor patamar desde a quinta-feira 23 de outubro de 1997, quando o risco brasileiro ainda estava em 374 pontos, poucos dias antes de a crise asiática contaminar a avaliação de todos os demais países emergentes. Na época, em apenas seis dias de negociações, o risco Brasil saltou de 374 pontos para 656.

Nos mercados internacionais, a baixa da taxa de risco é atribuída ao novo quadro da economia brasileira, desenhado pelos indicadores econômicos divulgados nesta semana, entre eles, o resultado do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas). Durante o dia, a taxa oscilou entre a máxima de 416 pontos e a mínima de 396 pontos.

O taxa de risco foi criada pelo banco americano JP Morgan para permitir, a seus clientes, condições mensuráveis de avaliação da capacidades de um país quebrar. A partir dela que gestores de fundos decidem investir em um deteminado país ou papel de uma empresa de risco semelhante.

A taxa é medida em pontos e calculada a partir de uma cesta de títulos negociados no mercado. Cada ponto significa 0,01 ponto percentual de prêmio acima do rendimento dos papéis da dívida dos EUA, considerada de risco zero de calote. A 403 pontos, mostra que para assumir o risco brasileiro o investidor estrangeiro "merece" um prêmio de 4,03 pontos percentais de rendimento acima do que paga um papel americano semelhante.

"Os números [da economia brasileira] indicam que a gente continua observando uma valorização dos papéis brasileiros", afirma Felipe Brandão, diretor de mercados emergentes da corretora López Leon.

Analistas destacam a melhora da relação dívida pública sobre o PIB (Produto Interno Bruto), e o cumprimento da meta fiscal para este ano com folga de R$ 6,7 bilhões, como sinais de que o país está mais confortável em cumprir suas obrigações financeiras.

"A maioria dos analistas que nós vemos trabalha com risco-país entre 350 e 400 pontos para o final de ano", afirma Jorge Kattar, da mesa de câmbio do Rabobank.

Os juros americanos são o principal fator que limita a evolução favorável da taxa de risco brasileiro. Caso subam demais, podem provocar um deslocamento de recursos dos ativos das economias emergentes para papéis de países ricos. "Isso ainda não está acontecendo, mas é preciso monitorar", diz Brandão. O Federal Reserve (banco central dos EUA) prevê um ajuste gradual da política monetária americana, mas uma oscilação brusca do dólar pode forçar a instituição a rever a posição.

Dólar

O dólar comercial finalizou o dia em queda de 0,33%, cotado a R$ 2,711 para venda, seu menor nível desde o dia 19 de junho de 2002. A balança comercial, porém, deu sinal amarelo com o aumento das importações.

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em alta de 0,42% e emendou seu sexto recorde histórico nos últimos 15 dias.

O adiamento da votação das PPPs (Parcerias público-privadas) não estragou o bom humor dos analistas. Para hoje, o mercado espera a chamada "realização de lucros", quando ocorrem vendas para aproveitar o ganho dos papéis nos pregões anteriores.

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