Dinheiro
24/12/2004 - 10h32

Correção de 10% também valerá para as deduções, diz CUT

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FABIANA FUTEMA
da Folha Online

A correção de 10% na tabela do Imposto de Renda de 10% será aplicada também nos limites de deduções com gastos em educação, saúde e dependentes. A garantia teria sido dada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente da CUT, Luiz Marinho.

Na semana passada, o secretário-adjunto da Receita Federal, Ricardo Pinheiro, havia informado que a correção de 10% valeria apenas para as faixas salariais de incidência de IR. Com isso, o impacto do reajuste de 10% cairia para 7%.

A declaração de Pinheiro foi mal-recebida entre os sindicalistas, que dias antes haviam se encontrado com Lula para reivindicar a correção da tabela de IR. É que os sindicalistas pediam inicialmente um reajuste de 17% --variação da inflação no governo Lula-- na tabela de IR. Eles acabaram aceitando os 10%. Mas rejeitaram a idéia aplicar o ajuste de 10% apenas nas faixas salariais.

Simulações feitas por tributaristas mostram que o impacto do reajuste de 10% é insignificante para os assalariados. Para um trabalhador que ganha R$ 2.500 por mês, o ganho mensal será de apenas R$ 14,81. Já aqueles que têm um rendimento médio mensal de até R$ 2.000 vão ter um ganho de imposto menor. Para esses, a redução no IR retido mensalmente na fonte será de apenas R$ 0,87.

Segundo Marinho, o presidente teria garantido ontem à noite por telefone que o reajuste de 10% valeria para as faixas salariais e para o limite de deduções de IR.

Procurada pela reportagem, a Receita informou que não vai se pronunciar sobre as declarações de Marinho.

A tabela do IR foi corrigida pela última vez em 2002 --em 17,5%. Em agosto deste ano, o governo criou o redutor de R$ 100 aplicado à base de cálculo do imposto.

A medida, que vale até o final deste mês (incluindo o 13º salário) e apenas para os trabalhadores assalariados, foi uma resposta temporária à reivindicação das centrais sindicais de corrigir a tabela.

Na época em que o redutor foi anunciado, o governo também se comprometeu com os líderes sindicais a promover uma alteração definitiva no IR a partir de 2005.

Pelos cálculos do governo, a correção da tabela em 10% provocará perda de arrecadação de R$ 2 bilhões no próximo ano --de R$ 30 bilhões para R$ 28 bilhões.

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