Dinheiro
11/04/2005 - 15h16

PF indicia presidente da Brasil Telecom por formação de quadrilha

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PATRÍCIA ZIMMERMANN
da Folha Online, em Brasília

A Polícia Federal indiciou nesta segunda-feira a presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, pelos crimes de formação de quadrilha, divulgação de segredo e corrupção ativa. A executiva prestou depoimento hoje a um delegado da Diretoria de Inteligência da PF que encontrou indícios do envolvimento de Cico nesses crimes.

Cico contratou os serviços da Kroll Associates para investigar a Telecom Italia, empresa que disputa com o Opportunity o controle da Brasil Telecom. A investigação da Kroll, no entanto, teria atingido funcionários do primeiro escalão do governo, como o ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) e o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb. A Kroll teve acesso a e-mails do ministro antes de ele assumir a pasta. Já Casseb foi monitorado antes e depois de assumir o cargo.

Pela formação de quadrilha a pena prevista é de um a três anos de reclusão. Já a divulgação de segredo prevê pena de um a quatro anos de detenção.

A PF informou que o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, empresa que controla a Brasil Telecom, será intimado a depor amanhã no Rio de Janeiro. O depoimento deve acontecer na quarta-feira.

O advogado de Cico e Dantas, Antônio Carlos de Almeida Castro, foi uma das sete pessoas que acompanharam o depoimento de hoje na PF. Também estava no grupo o advogado Nelio Machado e o presidente do Conselho de Administração da Brasil Telecom, Luiz Octávio da Motta Veiga.

A expectativa de Castro é de que o depoimento de Dantas ocorra na quarta-feira (13). A PF deve encerrar o relatório do inquérito até o final deste mês.

Cico deixou a PF após o depoimento sem falar com a imprensa, aparentando preocupação e cansaço. Apesar da declaração do advogado de que o depoimento havia sido tranqüilo, a avaliação de outras pessoas que acompanharam o depoimento é de que a executiva estava nervosa durante o depoimento --que durou das 10h30 às 13h.

Devido às denúncias de espionagem, a PF começou a investigar a responsabilidade da Kroll e dos executivos da Brasil Telecom em possíveis ações ilegais.

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