Dinheiro
26/04/2005 - 11h51

Num mês atípico, desemprego e renda sobem, diz Seade/Dieese

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FABIANA FUTEMA
da Folha Online

Num mês considerado atípico, a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo voltou a subir em março. A taxa --que estava em 17,1% em fevereiro-- subiu para 17,3% da PEA (População Economicamente Ativa) no mês passado, segundo a Fundação Seade/Dieese. Foi a segunda alta consecutiva.

Para os técnicos da Fundação Seade/Dieese, o movimento de março do mercado de trabalho foi diferente do que normalmente se espera para este mês do ano.

"Esperávamos um aumento maior da taxa de desemprego, o que seria normal para o período. Mas o crescimento do desemprego foi menor que o esperado", disse Sinésio Pires Ferreira, diretor de análise socioeconômica do Seade.

De fevereiro para março, a taxa de desemprego subiu 1,2%. Foi o menor crescimento já verificado neste período desde 1985, quando a pesquisa começou a ser feita. Nesse mesmo período de 2004, a taxa de desemprego subiu 4,04% --de 19,8% pra 20,6%.

Outro fator que surpreendeu os técnicos da Fundação Seade/Dieese foi o crescimento da ocupação de fevereiro para março (0,2%). Antes disso, o nível de ocupação só havia crescido neste mesmo período nos anos de 1995 e 2001.

"O esperado para essa época era queda da ocupação. Mas isso não ocorreu, sobretudo por conta do desempenho positivo da indústria" afirmou Ferreira.

Em março, a indústria criou 11 mil postos de trabalho, o que representou uma alta de 0,7% no nível de ocupação do setor. O setor de serviços abriu mais 8.000 vagas e outros setores --que engloba construção civil e serviços domésticos--, mais 2.000 postos.

O único setor a cortar vagas em março foi o comércio, com a eliminação de 6.000 empregos.

A criação desses 15 mil postos de trabalho, entretanto, foi insuficiente para compensar a entrada de 43 mil pessoas no mercado. Com isso, houve um aumento de 28 mil no número de desempregados, que somam 1,715 milhão.

Projeções

O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, disse que fica muito difícil fazer projeções sobre o comportamento futuro do mercado de trabalho. "Tivemos um trimestre complemente atípico. Não sabemos como a taxa vai se comportar daqui para a frente."

Segundo ele, se abril ficar mais próximo do comportamento típico do mês haverá aumento do desemprego, resultado da entrada de pessoas no mercado numa escala maior do que os postos de trabalho que forem criados. "Isso acontece para depois haver estabilidade da entrada de pessoas no mercado e continuidade da geração de empregos, que faz a taxa [de desemprego] ceder."

Para os técnicos da Fundação Seade/Dieese, o comportamento diferenciado do emprego neste primeiro trimestre pode ser explicado pelo efeito positivo das exportações e da demanda interna no mercado. "Há fatores novos na economia, como a ampliação do crédito, que está sustentando o crescimento interno", disse Lúcio.

Apesar dos sinais contraditórias do mercado de trabalho, os técnicos da Fundação Seade/Dieese não esperam que 2005 seja tão bom quanto foi 2004. "Não dá para esperar a mesma queda [de desemprego] que teve em 2004. O país estava parado há 20 anos, deu uma acelerada forte em 2004 e deu uma freada em 2005. Freou ms não parou e ninguém sabe o tamanho da freada", afirmou Lúcio.

Rendimento

A renda média do trabalhador subiu em fevereiro após três meses em queda, atingindo R$ 1.011, uma alta de 0,2% em relação a janeiro. Na comparação com fevereiro de 2004, quando o rendimento médio era de R$ 1.026, houve uma queda de 1,5%.

Os dados de renda têm um mês de defasagem em relação aos do emprego --os pesquisadores perguntam aos entrevistados quanto receberam no mês anterior.

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