Dinheiro
12/05/2005 - 13h46

Furlan minimiza críticas da Argentina e diz "olhar o futuro"

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FABIANA FUTEMA
da Folha Online

O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, minimizou as críticas disparadas nos últimos dias por autoridades e empresários argentinos. Héctor Mendez, presidente eleito da União Industrial Argentina, por exemplo, disse que Furlan era muito "duro" nas negociações comerciais com os vizinhos.

Segundo Furlan, empresários argentinos e brasileiros não devem "misturar as questões do dia-a-dia com pontos estratégicos". "Pois se vamos gastar a nossa energia nas questões do dia-a-dia, vai faltar energia para olhar para o futuro, que é o que nossos presidentes querem", disse ele logo após participar da abertura do encontro empresarial entre Brasil e países árabes, em São Paulo.

Ontem por exemplo, Furlan voltou a descartar um acordo sobre salvaguardas (barreiras comerciais) entre os dois países. A Argentina tem defendido que o mecanismo de salvaguardas pode ser usado mais amplamente sempre que a indústria de um dos países se sentir ameaçada pela entrada de importações.

Furlan também minimizou as informações contidas nas matérias veiculadas nos últimos dias pela imprensa argentina. O jornal "Clarín" chegou a noticiar que Furlan renunciaria ao cargo se o Brasil aceitasse as salvaguardas. Outros jornais chegaram a afirmar que empresários argentinos que vieram ao Brasil para a cúpula árabe teriam sido maltratados por Furlan.

"Eu li todos os jornais argentinos. Alguns davam a versão correta da reunião. Outros exageraram, buscando algum tipo de interpretação que não é a correta", afirmou o ministro do Desenvolvimento.

Apesar de tantos rumores negativos envolvendo seu nome, Furlan negou que exista problemas entre ele e autoridades argentinas. "Não, não tem arranho nenhum [em nossas relações]. Nossa relação com a Argentina é profunda e permanente."

Para confirmar o bom relacionamento entre as partes, o ministro confirmou que participará de um encontro na Argentina no próximo mês. "Estarei no próximo mês na Argentina conforme o combinado. Estamos tratando a agenda com o setor empresarial e o governo."

Relações perigosas

Furlan afirmou que esse tipo de "contencioso" (disputa) entre o Brasil e a Argentina é natural entre países que tem relações muito "intensas".

Para melhorar as relações entre os dois países, Furlan sugere que seja criado um novo mecanismo de resolução de conflitos.

"O que eu propus aos empresários argentinos é que nós mantivéssemos esse mecanismo de solução de problemas que é coordenado pelo Márcio Fortes de Almeida [secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento]. Mas que nós pensássemos em conjunto o futuro, a estratégia, o que é que podemos fazer, como podemos fazer."

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