Dinheiro
13/05/2005 - 11h59

GM abre programa para desligar até 500 e culpa dólar barato

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FABIANA FUTEMA
da Folha Online

A General Motors do Brasil vai abrir na segunda-feira um PDV (programa de demissão voluntária) para desligar até 500 funcionários aposentados da unidade de São José dos Campos (91 km de São Paulo). A criação do programa foi negociada ontem com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, numa reunião que durou quase cinco horas.

No encontro, a montadora informou aos sindicalistas que precisaria reduzir a produção do Corsa para se adequar à valorização do real.

"A empresa culpou a desvalorização do dólar pela necessidade de redução da produção. Eles disseram que não compensa exportar com o atual patamar de câmbio", disse Luiz Carlos Prates, o Mancha, presidente do sindicato.

Segundo ele, a GM teria informado que manteria em produção para exportação apenas os contratos fechados anteriormente. "A montadora não deve negociar novas vendas externas enquanto o dólar estiver lá em baixo", afirmou.

O PDV para os aposentados de São José dos Campos é apenas uma das medidas adotadas pela GM para reduzir seu volume de produção. No começo do mês, a empresa reduziu a jornada semanal da fábrica de São Caetano, no ABC paulista, de 45 horas para 40 horas. Por enquanto, não se fala em PDV por lá.

A empresa informou que está adotando essas medidas para adequar a produção local "às exportações". Segundo a empresa, a diminuição do ritmo de produção é reflexo do efeito da desvalorização do dólar sobre as exportações.

No começo do mês, o presidente da Anfavea, Rogelio Golfarb, disse que o dólar barato estava "pulverizando a rentabilidade das exportações".

Segundo ele, essa redução de margem pode tirar do Brasil investimentos necessários à manutenção da competitividade.

O desligamento voluntário

Mancha diz que o PDV deverá atingir apenas os funcionários aposentados --são 500, ao todo. Para estimular o desligamento, a empresa pagará um adicional de seis a nove salários --dependendo do tempo de casa-- e dois anos de convênio médico para quem aderir ao PDV, que será encerrado na próxima sexta-feira.

Segundo Mancha, a empresa teria se comprometido a não demitir nenhum funcionário não-aposentado. "Isso nós não vamos aceitar. O PDV para aposentado é aceitável, pois tem trabalhador que já estava aposentado e queria sair, mas esperava por uma condição mais favorável financeiramente para se desligar."

Em São José são produzidos o Corsa, Novo Corsa, Montana, S-10, Blazer, Meriva e Zafira. Em São Caetano, são fabricados os modelos Corsa, Novo Corsa, Astra e Vectra.

Motores

O sindicalista disse que o acordo que autorizou a abertura do PDV condicionou a transferência de 2.000 funcionários da Fiat-GM Powertrain --joint venture entre a GM e a Fiat, que está sendo dissolvida neste mês de maio-- para a GM de São José dos Campos.

"Todos eles serão incorporados à linha de produção da GM", disse Mancha. Esse processo deve ser concluído até agosto.

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