24/05/2005
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13h11
da Folha Online
O presidente do grupo Mapfre, Antonio Cássio dos Santos, afirmou que a companhia pagou "barato" pela subsidiária de seguros e previdência da Nossa Caixa, banco controlado pelo governo do Estado de São Paulo. O controle acionário da subsidiária foi vendido nesta manhã por R$ 225,82 milhões, um ágio de 46,6% sobre o preço mínimo.
O leilão foi marcado pela manifestação do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que, apesar da chuva, reuniu em torno de 100 pessoas em frente à Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) --local do evento.
O sindicato entrou com um recurso na Justiça Federal para suspender os efeitos do leilão, mas até o final desta manhã não havia retorno sobre a decisão do juiz encarregado do caso.
Ontem, a mesma entidade entrou com uma ação civil para barrar a realização da leilão, mas a Justiça indeferiu o pedido.
Os sindicalistas afirmam que o leilão é o início de um processo de privatização dos ativos estaduais.
O secretário estadual de Fazenda, Eduardo Guardia, negou que o Estado tenha interesse em vender a Nossa Caixa.
"Na pior das hipóteses, o valor que a gente pagou foi muito barato perto do potencial [da Nossa Caixa Seguros e Previdência]", disse o executivo da Mapfre, em entrevista à imprensa após o leilão.
Santos não revelou qual era a estratégia da empresa para o leilão. Ele disse apenas: "Nós podíamos pagar muito mais. Nós tínhamos claro que nós iríamos comprar [a Nossa Caixa]".
Com essa aquisição, a Mapfre de certa forma compensa a perda de outro alvo, a Real Seguros, subsidiária do banco ABN Amro Real, vendida para o grupo Tokio Marine por R$ 897 milhões no final de abril.
O leilão
Entre a abertura, às 10h, e a batida do martelo (que encerra oficialmente a cerimônia) transcorreram exatos 14 minutos. A empresa Itumbiara Participações (grupo Icatu) não apresentou propostas e deixou espaço aberto para a NCVP Participações (grupo Cardif) e para a Mapfre Vera Cruz Seguradora disputarem a subsidiária da Nossa Caixa.
Em jogo, 10,2 milhões de ações ordinárias ou 51% do capital social da empresa, em papéis do governo de São Paulo (17,85% do capital) e do próprio banco (33,15%).
As duas corretoras apresentaram os envelopes somente 10 segundos antes do final do prazo de entrega. A NCVP, cujo envelope foi aberto primeiro, ofereceu o preço mínimo, e permitiu a vitória da Mapfre, que ofereceu o preço de R$ 22,10 por ação, com ágio de 46,64%.
A aquisição concede à Mapfre, uma das maiores seguradoras independentes do país no ramo "vida", o direito de explorar a rede de atendimento da Nossa Caixa, espalhada por 505 agências no interior e capital de São Paulo, além de 386 pontos de atendimento e pouco mais de 700 correspondentes bancários (estabelecimentos comerciais autorizados a prestar alguns serviços de banco).
Mudanças
Nem a Nossa Caixa nem a Mapfre esclareceram quais as mudanças a serem feitas no Conselho de Administração da seguradora e nem confirmaram se o presidente atual, Odair Lucietto, será mantido no cargo.
O executivo do grupo espanhol confirmou que o principal interesse da Mapfre foi a rede de varejo da Nossa Caixa.
Afirmando que hoje as seguradoras ligadas a bancos dominam com ampla folga a distribuição de seguros individuais, Santos disse: "Uma companhia independente não tem, praticamente, como distribuir produtos individuais. Nós somos, na verdade, uma companhia de 'coletivos de vida' [seguros em grupo]. Agora, nós pretendemos disputar um segmento de mercado que hoje nós estamos fora".
Santos também não informou quanto pretende investir na reformulação da Nossa Caixa Seguros.
A Mapfre pretende iniciar a comercialização de seus produtos na rede da Nossa Caixa a partir do segundo semestre, com foco em seguros de vida individuais, mas com espaço para planos individuais de previdência. "O banco tem uma rede [de agências] muito forte. (...) E com uma linha de funcionários de primeira linha", afirmou o presidente do grupo Mapfre.
A subsidiária de seguros detém hoje 70 mil contratos de previdência complementar, com R$ 32 milhões em reservas técnicas (reservas obrigatórias feitas pelas seguradoras em razão dos contratos feitos), segundo Odair Lucietto. Não há contratos de seguros na carteira da subsidiária.
A estratégia do banco estadual é ampliar as fontes de receitas da instituição pelo compartilhamento de negócios com parceiros privados com especialização em nichos de negócios, a exemplo da Mapfre, uma gigante no mercado europeu, com presença em 39 países e ativos de R$ 25 bilhões em ativos.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre a Mapfre.
Mapfre afirma que pagou "barato" por Nossa Caixa Seguros
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EPAMINONDAS NETOda Folha Online
O presidente do grupo Mapfre, Antonio Cássio dos Santos, afirmou que a companhia pagou "barato" pela subsidiária de seguros e previdência da Nossa Caixa, banco controlado pelo governo do Estado de São Paulo. O controle acionário da subsidiária foi vendido nesta manhã por R$ 225,82 milhões, um ágio de 46,6% sobre o preço mínimo.
O leilão foi marcado pela manifestação do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que, apesar da chuva, reuniu em torno de 100 pessoas em frente à Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) --local do evento.
O sindicato entrou com um recurso na Justiça Federal para suspender os efeitos do leilão, mas até o final desta manhã não havia retorno sobre a decisão do juiz encarregado do caso.
Ontem, a mesma entidade entrou com uma ação civil para barrar a realização da leilão, mas a Justiça indeferiu o pedido.
Os sindicalistas afirmam que o leilão é o início de um processo de privatização dos ativos estaduais.
O secretário estadual de Fazenda, Eduardo Guardia, negou que o Estado tenha interesse em vender a Nossa Caixa.
"Na pior das hipóteses, o valor que a gente pagou foi muito barato perto do potencial [da Nossa Caixa Seguros e Previdência]", disse o executivo da Mapfre, em entrevista à imprensa após o leilão.
Santos não revelou qual era a estratégia da empresa para o leilão. Ele disse apenas: "Nós podíamos pagar muito mais. Nós tínhamos claro que nós iríamos comprar [a Nossa Caixa]".
Com essa aquisição, a Mapfre de certa forma compensa a perda de outro alvo, a Real Seguros, subsidiária do banco ABN Amro Real, vendida para o grupo Tokio Marine por R$ 897 milhões no final de abril.
O leilão
Entre a abertura, às 10h, e a batida do martelo (que encerra oficialmente a cerimônia) transcorreram exatos 14 minutos. A empresa Itumbiara Participações (grupo Icatu) não apresentou propostas e deixou espaço aberto para a NCVP Participações (grupo Cardif) e para a Mapfre Vera Cruz Seguradora disputarem a subsidiária da Nossa Caixa.
Em jogo, 10,2 milhões de ações ordinárias ou 51% do capital social da empresa, em papéis do governo de São Paulo (17,85% do capital) e do próprio banco (33,15%).
As duas corretoras apresentaram os envelopes somente 10 segundos antes do final do prazo de entrega. A NCVP, cujo envelope foi aberto primeiro, ofereceu o preço mínimo, e permitiu a vitória da Mapfre, que ofereceu o preço de R$ 22,10 por ação, com ágio de 46,64%.
A aquisição concede à Mapfre, uma das maiores seguradoras independentes do país no ramo "vida", o direito de explorar a rede de atendimento da Nossa Caixa, espalhada por 505 agências no interior e capital de São Paulo, além de 386 pontos de atendimento e pouco mais de 700 correspondentes bancários (estabelecimentos comerciais autorizados a prestar alguns serviços de banco).
Mudanças
Nem a Nossa Caixa nem a Mapfre esclareceram quais as mudanças a serem feitas no Conselho de Administração da seguradora e nem confirmaram se o presidente atual, Odair Lucietto, será mantido no cargo.
O executivo do grupo espanhol confirmou que o principal interesse da Mapfre foi a rede de varejo da Nossa Caixa.
Afirmando que hoje as seguradoras ligadas a bancos dominam com ampla folga a distribuição de seguros individuais, Santos disse: "Uma companhia independente não tem, praticamente, como distribuir produtos individuais. Nós somos, na verdade, uma companhia de 'coletivos de vida' [seguros em grupo]. Agora, nós pretendemos disputar um segmento de mercado que hoje nós estamos fora".
Santos também não informou quanto pretende investir na reformulação da Nossa Caixa Seguros.
A Mapfre pretende iniciar a comercialização de seus produtos na rede da Nossa Caixa a partir do segundo semestre, com foco em seguros de vida individuais, mas com espaço para planos individuais de previdência. "O banco tem uma rede [de agências] muito forte. (...) E com uma linha de funcionários de primeira linha", afirmou o presidente do grupo Mapfre.
A subsidiária de seguros detém hoje 70 mil contratos de previdência complementar, com R$ 32 milhões em reservas técnicas (reservas obrigatórias feitas pelas seguradoras em razão dos contratos feitos), segundo Odair Lucietto. Não há contratos de seguros na carteira da subsidiária.
A estratégia do banco estadual é ampliar as fontes de receitas da instituição pelo compartilhamento de negócios com parceiros privados com especialização em nichos de negócios, a exemplo da Mapfre, uma gigante no mercado europeu, com presença em 39 países e ativos de R$ 25 bilhões em ativos.
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