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Dinheiro
25/05/2005 - 09h39

Renda volta a cair após três meses; desemprego fica estável, diz IBGE

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JANAINA LAGE
da Folha Online, no Rio

A taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país ficou estável em abril, em 10,8%, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A renda do trabalhador, no entanto, apresentou queda de 1,8% após três meses consecutivos de crescimento.

Em abril, o rendimento médio real do trabalhador ficou em R$ 938,70, ante R$ 945,20 em março. Segundo o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, o trabalhador não conseguiu repor as perdas com a inflação no período.

A redução de 100 mil postos de trabalho na indústria também influenciou negativamente a renda do trabalhador. Isto porque a indústria concentra um grande número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada, que tradicionalmente apresentam rendimento superior. Somente em São Paulo, região metropolitana de maior peso na indústria, a queda chegou a 97 mil vagas.

"O quadro que vinha se desenhando no cenário do mercado de trabalho era mais favorável em março. Fatores de origem macroeconômica, como o aumento dos juros e os problemas com a taxa de câmbio também afetaram o desempenho do mercado de trabalho", afirmou Azeredo.

Segundo o técnico do IBGE, havia uma expectativa de que a taxa de desemprego começasse a cair mais cedo este ano. De acordo com a série histórica da pesquisa, o desemprego cresce até meados do ano e então entra em trajetória de queda. Com a mudança no cenário do mercado de trabalho em abril, Azeredo afirma que as chances desse adiantamento acontecer diminuíram.

"A situação é preocupante quando se compara com a evolução que vinha se dando no mercado de trabalho. Há queda no rendimento, perda no contingente da indústria na região metropolitana de São Paulo e redução no número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada", disse.

Para Azeredo, a mudança de perfil pode estar relacionada até mesmo ao início do processo de aumento da informalidade. "Numa primeira leitura, isso pode mostrar o início desse processo. Quando há crise no mercado de trabalho, o primeiro item afetado é o trabalho formal", afirmou.

Em abril, o número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada registrou queda de 3.000 pessoas, uma variação que não é considerada estatisticamente significativa segundo a metodologia da pesquisa, após dois meses de alta.

Regiões

Segundo o IBGE, a única região metropolitana a registrar aumento do desemprego foi Salvador, onde a taxa passou de 15,7% para 17%. Em compensação, houve queda em Belo Horizonte, de 10,7% para 9,5%. O desemprego ficou estável em São Paulo (11,4%), Rio de Janeiro (8,6%), Porto Alegre (8%) e Recife (13%).

O número de pessoas desocupadas ficou em 2,4 milhões, o que representa estabilidade de março para abril.

Especial
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