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18/06/2005 - 09h01

Fita da PF mostra publicitário oferecendo capa de revista

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da Folha de S. Paulo

A Operação Cevada de combate à sonegação fiscal da Receita Federal e da Polícia Federal realizada na quarta-feira, que prendeu nove diretores da cervejaria Schincariol, respingou na imprensa.

Uma gravação telefônica em poder da Polícia Federal registrou uma conversa entre o publicitário Luiz Lara, da agência Lew, Lara, que atende parte das contas da cervejaria, com Adriano Schincariol, diretor da empresa. No diálogo, Lara sugere a Schincariol a compra de uma reportagem de capa da revista "IstoÉ Dinheiro", da Editora Três, de propriedade de Domingo Alzugaray.

Num trecho da gravação, Schincariol e Lara conversam sobre a possibilidade de "blindarem" as revistas "IstoÉ" e "Época", da Editora Globo.

Lara afirma a Schincariol que Alzugaray estava com graves problemas financeiros e que, se ele desse até R$ 1 milhão, conseguiria uma reportagem de capa da "IstoÉ Dinheiro".

O diálogo, ocorrido em 17 de dezembro de 2004, foi confirmado por Luís Lara. Schincariol está detido na Polícia Federal em São Paulo, e seu advogado disse que seu cliente não teria como comentar a gravação.

Lara afirmou à Folha que agiu de forma indevida e que nunca comprou uma reportagem de capa de uma revista. "Cometi um excesso inadvertido. Falei demais e assumo toda a responsabilidade", afirmou Lara.

Dois meses depois do diálogo, no dia 23 de fevereiro deste ano, a "IstoÉ Dinheiro" publicou a reportagem de capa: "A virada da Schin".

Em nota enviada à Folha na quinta-feira, Alzugaray nega que sua editora venda reportagens de suas revistas e diz desconhecer o teor do diálogo.

A reportagem de capa da "IstoÉ Dinheiro" tratava, entre outros assuntos, do tema fiscal, baseado num estudo da consultoria Trevisan mostrando que as marcas da Schincariol pagavam relativamente mais imposto do que as marcas líderes por uma distorção na cobrança do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Na gravação obtida pela PF, Lara diz a Schincariol que, se ele desse um dinheiro a Alzugaray, ele lhe daria uma capa da "IstoÉ Dinheiro" sobre o tema fiscal.

Segundo Lara, essa reportagem já tinha interessado à "IstoÉ Dinheiro" antes do diálogo com Schincariol. Tratava-se, segundo Lara, de um assunto de interesse jornalístico. O publicitário afirmou que, além da revista, outras publicações também teriam feito reportagens sobre o assunto. Entre elas, a revista "Época".

O diretor de Redação da revista "Época", Aluizio Falcão Filho, negou enfaticamente à Folha que a revista venda suas reportagens. Segundo ele, a "Época" publicou duas reportagens sobre a Schincariol. Uma, em dezembro de 2003, com denúncias de sonegação fiscal e enfoque bastante negativo à Schincariol. A outra, em 13 de dezembro de 2004, portanto antes da gravação da PF, a respeito do estudo da Trevisan.

Para Falcão, o diálogo entre Luiz Lara e Adriano Schincariol lhe soou como o de um publicitário contando vantagens para o seu cliente. "Lara quis mostrar um poder que ele não tem."

A Schincariol também anuncia na Editora Globo. Segundo Luiz Lara, no ano passado, a segunda fabricante de cervejas do país fechou um contrato de R$ 750 mil líquidos para diversos projetos de publicidade.

A agência Lew, Lara, que presta serviços à Folha, é a segunda maior do Brasil em investimentos. Ela é também uma das três agências detentoras da conta de publicidade institucional da Presidência da República, cuja verba anual é de R$ 150 milhões. As outras duas agências são a Duda Mendonça (do publicitário homônimo, que fez a campanha presidencial de Lula em 2002) e a Matisse.

Leia mais
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