24/08/2005
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17h06
da Folha Online
Os bancos nunca estiveram tão empenhados em ampliar a concessão de crédito imobiliário para a classe média. Para disputar a clientela desse segmento --pouco explorado até pouco tempo atrás--, o setor está se valendo de várias estratégias, como a redução do custo do financiamento habitacional e a criação de agências com funcionários especializados no assunto.
O HSBC e a Nossa Caixa, por exemplo, reduziram as taxas do crédito imobiliário dos 12% anuais para 10% e 9%, respectivamente. O Itaú programou para setembro a redução dos juros para 8% ao ano nos primeiros 36 meses de contrato. Outros bancos, como Bradesco e Caixa Econômica Federal estudam medidas semelhantes.
O resultado desse esforço já foi medido pelo Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). Só no mês passado o setor destinou R$ 519,42 milhões para o financiamento habitacional, o que representou um incremento de 86,73% em relação ao mesmo mês de 2004.
Essa explosão do financiamento habitacional, segundo representantes do setor, é reflexo da combinação da regulamentação de leis que trouxeram mais segurança para as operações de crédito imobiliário --como a alienação fiduciária-- com resoluções do CMN (Conselho Monetário Nacional), que passaram a incentivar a ampliação da contratação de crédito para a habitação.
"A alienação fiduciária fez toda a diferença. Quando as operações eram garantidas pelo sistema de hipoteca, os bancos não tinham segurança para operar o crédito imobiliário", disse Roberto Sampaio, diretor de crédito imobiliário do HSBC.
Na alienação fiduciária, o mutuário que atrasar o pagamento da prestação por três meses pode ter o imóvel retomado em até seis meses. Com a garantia hipotecária, a retomada do imóvel do inadimplente se arrasta por muitos anos na Justiça.
Neste ano, o CMN passou a incentivar o crédito para imóveis avaliados em até R$ 150 mil --para a classe média-- e financiados com juros menores. Combinado a essa situação, o CMN também fixou metas para a expansão do crédito imobiliário: 50% no segundo semestre. Essa meta é uma alternativa para os bancos que não conseguem cumprir a exigência de aplicar 65% dos depósitos da poupança em habitação.
O presidente da Abecip, Décio Tenerello, disse que esses incentivos do CMN --combinados com as penalidades para quem descumprisse as exigências-- acabaram por aumentar a concorrência no setor, com a readequação das linhas de crédito.
"Os bancos passaram a contar com um multiplicador no cálculo das exigibilidades do crédito imobiliário maior para imóveis de menor valor do que para os mais caros. Quanto menor o valor do imóvel, maior é o fator multiplicador e mais fácil é cumprir as exigências do CMN", afirmou.
Fidelização
Sampaio, do HSBC, disse que a estratégia do banco em relação ao crédito imobiliário não tem nada a ver com as exigências do CMN, pois a instituição já aplica 65% dos depósitos em poupança em habitação. "Acreditamos no crédito imobiliário e achamos que vale a pena investir nessa operação."
Segundo ele, as operações de crédito imobiliário ajudam a "fidelizar" a clientela. "Investimos nesse segmento, pois o cliente do crédito imobiliário terá uma relação de longo prazo com a instituição. Nesse período, o banco tem a oportunidade de fidelizar o cliente, que pode se transformar em usuário de outros produtos."
Mesmo sem ter de cumprir as metas do CMN, o HSBC deve fechar o ano com um crescimento de quase 100% na carteira de crédito imobiliário para a pessoa física, que deve ultrapassar os R$ 160 milhões.
Para 2005, a Abecip estima que o mercado de crédito imobiliário deva crescer cerca de 50%, atingindo R$ 4,5 bilhões.
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FABIANA FUTEMAda Folha Online
Os bancos nunca estiveram tão empenhados em ampliar a concessão de crédito imobiliário para a classe média. Para disputar a clientela desse segmento --pouco explorado até pouco tempo atrás--, o setor está se valendo de várias estratégias, como a redução do custo do financiamento habitacional e a criação de agências com funcionários especializados no assunto.
O HSBC e a Nossa Caixa, por exemplo, reduziram as taxas do crédito imobiliário dos 12% anuais para 10% e 9%, respectivamente. O Itaú programou para setembro a redução dos juros para 8% ao ano nos primeiros 36 meses de contrato. Outros bancos, como Bradesco e Caixa Econômica Federal estudam medidas semelhantes.
O resultado desse esforço já foi medido pelo Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). Só no mês passado o setor destinou R$ 519,42 milhões para o financiamento habitacional, o que representou um incremento de 86,73% em relação ao mesmo mês de 2004.
Essa explosão do financiamento habitacional, segundo representantes do setor, é reflexo da combinação da regulamentação de leis que trouxeram mais segurança para as operações de crédito imobiliário --como a alienação fiduciária-- com resoluções do CMN (Conselho Monetário Nacional), que passaram a incentivar a ampliação da contratação de crédito para a habitação.
"A alienação fiduciária fez toda a diferença. Quando as operações eram garantidas pelo sistema de hipoteca, os bancos não tinham segurança para operar o crédito imobiliário", disse Roberto Sampaio, diretor de crédito imobiliário do HSBC.
Na alienação fiduciária, o mutuário que atrasar o pagamento da prestação por três meses pode ter o imóvel retomado em até seis meses. Com a garantia hipotecária, a retomada do imóvel do inadimplente se arrasta por muitos anos na Justiça.
Neste ano, o CMN passou a incentivar o crédito para imóveis avaliados em até R$ 150 mil --para a classe média-- e financiados com juros menores. Combinado a essa situação, o CMN também fixou metas para a expansão do crédito imobiliário: 50% no segundo semestre. Essa meta é uma alternativa para os bancos que não conseguem cumprir a exigência de aplicar 65% dos depósitos da poupança em habitação.
O presidente da Abecip, Décio Tenerello, disse que esses incentivos do CMN --combinados com as penalidades para quem descumprisse as exigências-- acabaram por aumentar a concorrência no setor, com a readequação das linhas de crédito.
"Os bancos passaram a contar com um multiplicador no cálculo das exigibilidades do crédito imobiliário maior para imóveis de menor valor do que para os mais caros. Quanto menor o valor do imóvel, maior é o fator multiplicador e mais fácil é cumprir as exigências do CMN", afirmou.
Fidelização
Sampaio, do HSBC, disse que a estratégia do banco em relação ao crédito imobiliário não tem nada a ver com as exigências do CMN, pois a instituição já aplica 65% dos depósitos em poupança em habitação. "Acreditamos no crédito imobiliário e achamos que vale a pena investir nessa operação."
Segundo ele, as operações de crédito imobiliário ajudam a "fidelizar" a clientela. "Investimos nesse segmento, pois o cliente do crédito imobiliário terá uma relação de longo prazo com a instituição. Nesse período, o banco tem a oportunidade de fidelizar o cliente, que pode se transformar em usuário de outros produtos."
Mesmo sem ter de cumprir as metas do CMN, o HSBC deve fechar o ano com um crescimento de quase 100% na carteira de crédito imobiliário para a pessoa física, que deve ultrapassar os R$ 160 milhões.
Para 2005, a Abecip estima que o mercado de crédito imobiliário deva crescer cerca de 50%, atingindo R$ 4,5 bilhões.
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