Catedral de Naumburg inova com intervenção artística
da Deutsche Welle, na Alemanha
A pequena cidade de Naumburg, no estado de Saxônia-Anhalt, se tornou o centro das atenções dos alemães na passagem de ano, por causa de uma intervenção artística em um monumento histórico secular.
Neo Rauch, um dos artistas plásticos alemães mais requisitados do momento, projetou três vitrais para a Catedral de Naumburg.
A obra foi concebida para uma pequena capela dedicada a Santa Elisabete, até então fechada ao público.
Lenda medieval
Pelo menos desde o início do século 14, Naumburg é destino de procissões anuais no dia 2 de maio, data da chegada das relíquias de Santa Elisabete à capela instalada na torre noroeste da catedral.
Elisabete da Turíngia, nascida em 1207 como filha do rei húngaro, morreu aos 24 anos, sendo canonizada poucos anos depois.
Desde cedo ela provocava a nobreza com severas críticas aos hábitos dispendiosos de sua classe, engajando-se em atividades humanitárias.
Após a morte de seu marido, ela foi privada de seu poder por familiares, morrendo jovem, após ter se contagiado entre os doentes de que cuidava.
A vida de Elisabete foi o ponto de partida das representações figurativas de Neo Rauch, conhecido por resgatar a iconografia propagandística socialista como referência de suas telas.
O espaço silencioso e sóbrio da capela, que se estende sob cadeias sustentadas por mainéis com capitéis ornamentados, foi transformado por vitrais vermelho-sangue com os traços fortes típicos da gravura.
Engajamento social
A primeira janela narra a despedida de Elisabete de seu marido, antes de ele partir para uma cruzada da qual jamais voltaria. No vitral intermediário, a santa aparece doando um manto a um pobre de joelhos.
O terceiro episódio mostra Elisabete cuidando de um doente no hospital de Marburg, na companhia de seu confessor. As imagens em tons avermelhados transluzem através dos vidros soprados artesanalmente e enquadrados em molduras de chumbo.
As tonalidades variam de acordo com a incidência do sol. Na avaliação de especialistas, as figuras de Rauch dialogam com a expressividade das esculturas e relevos do chamado Mestre de Naumburg, o artista anônimo que esculpiu em pedra as cenas da Paixão no século 13.
A catedral de Naumburg é considerada uma das mais representativas construções românicas tardias, já com traços do início do período gótico.
Nova luz
Com a encomenda dessa intervenção a um artista contemporâneo, a cidade de Naumburg pretende chamar atenção para o valor histórico de sua catedral, algo que poderia colaborar para incluí-la na lista de patrimônios culturais da Unesco.
Mas isso não é tudo. O projeto acompanha uma moda momentânea de tornar as igrejas mais convidativas e conquistar maior projeção pública para os espaços religiosos por meio de uma colaboração com a arte contemporânea.
Em meados de 2007, a inauguração de um vitral abstrato de Gerhard Richter na catedral de Colônia gerou polêmica e conquistou grande espaço na mídia.
Na mesma cidade, uma outra igreja já havia sido alvo de enorme afluxo público em 2005, por causa dos vitrais concebidos pelo artista Markus Lüperz sobre a lenda dos macabeus. A próxima grande sensação nesse sentido deverá ser a série de vitrais que o artista Sigmar Polke está preparando para a catedral de Zurique.
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