Doris Dörrie narra últimos dias de um bávaro no Japão
da Deutsche Welle, na Alemanha
Com o longa "Flores de Cerejeira Hanami", participante da competição da última Berlinale, a cineasta alemã Doris Dörrie ambienta um drama familiar alemão na paisagem imaginária e real do Japão.
Rudi e Trudi, um casal que vive no interior da Alta Baviera, não são dos mais jovens. Eles se acostumaram a uma vida confortável e nada excitante.
| DW |
![]() |
| Filme "Flores de Cerejeira Hanami" retrata os últimos dias da vida de um alemão no Japão |
Para o funcionário público Rudi, o dia começa com a breve viagem de trem até o trabalho e termina no fim do expediente, quando calça os chinelos e se senta ao lado da esposa. Eles poderiam passar o resto da vida assim, se não fosse o péssimo diagnóstico que Trudi recebe dos médicos após uma consulta de rotina de seu marido.
Rudi tem uma doença incurável e só viverá mais alguns meses. A mulher, que esconde dele o resultado dos exames, tenta convencê-lo a fazer uma viagem.
Ela adoraria ir ao Japão, o país de seus sonhos, onde também vive o filho mais novo do casal. Rudi, por sua vez, não quer sair da sua rotina e muito menos ir ao Japão. Mas por fim, ela o convence a visitar os dois outros filhos em Berlim e a passar depois uma temporada no mar Báltico.
No início da viagem, nenhum deles sabe que não haveria retorno para Trudi, enquanto Rudi, a quem só resta pouco tempo de vida, acaba de entrar em sua última aventura.
Esse é o enredo narrado pelo novo filme de Doris Dörrie, "Kirschblüten Hanami" ("Flores de Cerejeira Hanami"), um dos favoritos da competição da última Berlinale, em cartaz nos cinemas alemães a partir de amanhã.
No Festival de Cinema de Berlim, o filme com duas horas de duração, cujo roteiro também foi escrito pela diretora, foi um sucesso de público e de crítica.
Muito elogiado foi o desempenho do ator de televisão e dublador Elmar Wepper, no papel do mal-humorado funcionário público bávaro.
Wepper consegue convencer o espectador do choque que Rudi sofre com a perda repentina de sua mulher, que amanhece morta em um quarto de hotel no litoral báltico. Só então, ele reconhece o quanto desconhecia os desejos de sua companheira de anos.
Última alegria
Rudi resolve realizar o sonho de sua mulher, que aprendia a dançar butô às escondidas, e parte para Tóquio. Ele se hospeda no apartamento de seu filho Karl, que parece pouco entusiasmado com a idéia de dividir seu pequeno espaço com seu pai.
A falta de carinho que caracteriza a relação entre pais e filhos nesta família já tinha sido mostrada com toda nitidez durante a estadia do casal em Berlim, com o filho Klaus, um político que nunca tem tempo, e a filha Karolin, uma lésbica envolvida com uma simpática companheira.
No Japão, o funcionário público bávaro vive seus últimos momentos de alegria, numa amizade lacônica com Yu, uma jovem dançarina de butô que ele conhece em um parque de Tóquio e com quem parte para uma viagem.
O filme de Dörrie é digno de ser visto, embora também tenha seus pontos fracos. Hannelore Elsner não é muito convincente no papel da esposa fiel e dedicada. O episódio de Berlim é logo e didático demais, enquanto o olhar turístico domina a caracterização do Japão. E a cineasta nem sempre escapa do perigo de se tornar sentimental demais.
Leia mais
Especial


