Deutsche Welle
05/03/2008 - 21h35

Doris Dörrie narra últimos dias de um bávaro no Japão

da Deutsche Welle, na Alemanha

Com o longa "Flores de Cerejeira Hanami", participante da competição da última Berlinale, a cineasta alemã Doris Dörrie ambienta um drama familiar alemão na paisagem imaginária e real do Japão.

Rudi e Trudi, um casal que vive no interior da Alta Baviera, não são dos mais jovens. Eles se acostumaram a uma vida confortável e nada excitante.

DW
Filme "Flores de Cerejeira Hanami" retrata os últimos dias da vida de um alemão no Japão
Filme "Flores de Cerejeira Hanami" retrata os últimos dias da vida de um alemão no Japão

Para o funcionário público Rudi, o dia começa com a breve viagem de trem até o trabalho e termina no fim do expediente, quando calça os chinelos e se senta ao lado da esposa. Eles poderiam passar o resto da vida assim, se não fosse o péssimo diagnóstico que Trudi recebe dos médicos após uma consulta de rotina de seu marido.

Rudi tem uma doença incurável e só viverá mais alguns meses. A mulher, que esconde dele o resultado dos exames, tenta convencê-lo a fazer uma viagem.

Ela adoraria ir ao Japão, o país de seus sonhos, onde também vive o filho mais novo do casal. Rudi, por sua vez, não quer sair da sua rotina e muito menos ir ao Japão. Mas por fim, ela o convence a visitar os dois outros filhos em Berlim e a passar depois uma temporada no mar Báltico.

No início da viagem, nenhum deles sabe que não haveria retorno para Trudi, enquanto Rudi, a quem só resta pouco tempo de vida, acaba de entrar em sua última aventura.

Esse é o enredo narrado pelo novo filme de Doris Dörrie, "Kirschblüten Hanami" ("Flores de Cerejeira Hanami"), um dos favoritos da competição da última Berlinale, em cartaz nos cinemas alemães a partir de amanhã.

No Festival de Cinema de Berlim, o filme com duas horas de duração, cujo roteiro também foi escrito pela diretora, foi um sucesso de público e de crítica.

Muito elogiado foi o desempenho do ator de televisão e dublador Elmar Wepper, no papel do mal-humorado funcionário público bávaro.

Wepper consegue convencer o espectador do choque que Rudi sofre com a perda repentina de sua mulher, que amanhece morta em um quarto de hotel no litoral báltico. Só então, ele reconhece o quanto desconhecia os desejos de sua companheira de anos.

Última alegria

Rudi resolve realizar o sonho de sua mulher, que aprendia a dançar butô às escondidas, e parte para Tóquio. Ele se hospeda no apartamento de seu filho Karl, que parece pouco entusiasmado com a idéia de dividir seu pequeno espaço com seu pai.

A falta de carinho que caracteriza a relação entre pais e filhos nesta família já tinha sido mostrada com toda nitidez durante a estadia do casal em Berlim, com o filho Klaus, um político que nunca tem tempo, e a filha Karolin, uma lésbica envolvida com uma simpática companheira.

No Japão, o funcionário público bávaro vive seus últimos momentos de alegria, numa amizade lacônica com Yu, uma jovem dançarina de butô que ele conhece em um parque de Tóquio e com quem parte para uma viagem.

O filme de Dörrie é digno de ser visto, embora também tenha seus pontos fracos. Hannelore Elsner não é muito convincente no papel da esposa fiel e dedicada. O episódio de Berlim é logo e didático demais, enquanto o olhar turístico domina a caracterização do Japão. E a cineasta nem sempre escapa do perigo de se tornar sentimental demais.

Continua...

 

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