Fronteira da Alemanha dividida tinha 1.400 km; veja mais números
da Deutsche Welle
Por mais de 28 anos, o Muro de Berlim foi o símbolo da divisão das duas Alemanhas. A fortaleza se estendia por 155 km e separava Berlim Ocidental de Berlim Oriental. Muito maior era a fronteira interalemã, isto é, entre a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA), de regime comunista. Ela somava 1.400 km, indo da baía de Lübeck, no norte, até Hof, no sul, na fronteira com a Tchecoslováquia.
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Somente na região metropolitana de Berlim, o Muro tinha mais de 43 km de comprimento. Ao longo de seu percurso na cidade ele interrompia oito linhas de trens urbanos, quatro de metrô e 193 ruas e avenidas. Em sua extensão, o "gigante de concreto" atravessava 24 km de rios e cruzava 30 km de bosques.
A fronteira de Berlim, cujas instalações incluíam o muro, era controlada 24 horas por dia. Soldados armados, em mais de 300 torres de observação, vigiavam constantemente para evitar fugas a Berlim Ocidental. A área da fronteira tinha 100 metros de largura, com diversos tipos de obstáculos. Esse território era conhecido como "faixa da morte".
Muitos tentaram atravessar o muro apesar do perigo de vida. Nos 28 anos que o Muro ficou de pé, houve 5.075 fugas bem-sucedidas. Os estratagemas usados foram os mais diversos: túneis através da cidade, veículos pequenos que passassem debaixo das traves, caminhões pesados para arrebentar os obstáculos, barcos, ultraleves, balões e aviões improvisados. Também houve quem fugisse de trem, ou simplesmente confiasse em documentos falsificados e veículos preparados para esconder pessoas, obtidos graças à ajuda de grupos da RFA que se dedicavam a organizar a fuga de alemães do Leste.
O Muro de Berlim, propriamente dito, tinha mais de 100 km e até 4,20m de altura em alguns trechos. Uma segunda fortificação foi construída posteriormente. Ao seu redor foi demarcada uma faixa de segurança, também conhecida como faixa da morte, que chegava a ter cem metros de largura. Ali se encontravam cerca de 300 torres de vigilância, 20 bunkers (instalações antiaéreas subterrâneas), 260 canis e inúmeros postes com holofotes. Os soldados receberam ordem de atirar e impedir qualquer fuga "usando todos os recursos disponíveis".
Por trás do Muro, de quatro metros de altura, havia uma segunda barreira, cercas com alarme e trincheiras profundas antiveículos. Holofotes, cães e minas completavam o esquema de segurança que fazia do muro uma fortaleza praticamente inexpugnável.
Sua manutenção era muito cara aos cofres da RDA, de regime comunista, representando um constante ônus econômico. Isso sem falar nos gastos com a construção. Foram gastos 870 milhões de marcos para erguer o gigante de concreto e demais instalações da fronteira.
Com a construção do Muro, o código penal da RDA ficou mais severo para garantir a fronteira. A tentativa de fuga passou a ser crime. Os desertores eram considerados "traidores da pátria". No primeiro semestre de 1961, foi aberto inquérito contra 4.400 pessoas que tentaram cruzar a fronteira. Seis meses depois, 18,3 mil foram condenadas por tentativa de fuga e passaram anos nas prisões.
Apesar do risco de morte, muitos cidadãos da RDA não desistiram de escapar para o Ocidente. A Procuradoria Geral da República tem registro de 270 casos de morte ocorridas em tentativas de travessia do Muro. A ONG Treze de Agosto registra 1.065 vítimas (dados de 2004) do Muro e da fronteira interalemã.
Ao contrário da Justiça, que só registra os casos de morte direta na fronteira, a ONG considerou também aqueles que não morreram necessariamente através de tiros dos soldados, mas foram indiretamente afetados, como por exemplo, os que se suicidaram ao terem descobertos seus planos de fuga.
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