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14/11/2002 - 14h29

História: A crise de 29 e a depressão do capitalismo

CLAUDIO B. RECCO
da Folha de S.Paulo

A crise de 1929 e dos anos subseqüentes teve sua origem no grande aumento da produção industrial e agrícola nos EUA durante a Primeira Guerra Mundial, uma vez que o mercado consumidor, principalmente o externo, representado pelos países em guerra na Europa e pelos da América Latina, tradicionais consumidores dos produtos europeus, conheceu ampliação significativa.

O rápido crescimento da produção e das empresas valorizou as ações e estimulou a especulação, responsável pela "pequena crise" de 1920-21. Se o desenvolvimento de novos setores industriais amenizou a crise na indústria de base, o mesmo não ocorreu com a agricultura, contribuindo para a retração do mercado consumidor.

Os anos 20 foram marcados pela prosperidade do país, mas de forma a acentuar a desigualdade socioeconômica -a parcela mais rica da população aumentava sua riqueza, diferentemente da classe trabalhadora. Essa prosperidade era fruto de uma situação de equilíbrio precário da economia, com a concentração maciça de capitais, que, por sua vez, eram originários da superprodução e da facilidade na obtenção de créditos.

A superprodução foi característica de todo esse período, favorecida pela política de liberalismo econômico adotada pelo Estado e responsável pelo aumento dos estoques, pela queda nos preços, pela redução dos lucros e pelo desemprego. A facilidade de créditos, concedidos tanto às pessoas como às empresas, pretendia aumentar o consumo. Dessa maneira manteve-se a ilusão de que a crise era passageira.

Em outubro de 29, a venda de ações cresceu nas Bolsas de Valores, criando uma tendência de baixa no preço das ações, que fez com que cada vez mais investidores/especuladores vendessem seus papéis. De 24 a 29 de outubro, a Bolsa de Nova York teve um prejuízo de US$ 40 bilhões. Em abril de 1930, havia 3 milhões de desempregados; em outubro, 4 milhões; um ano depois, existiam 7 milhões e, no início de 1933, de 12 milhões a 14 milhões.

A redução da receita tributária que atingiu o Estado fez que não só os empréstimos ao exterior fossem suspensos e as dívidas cobradas como também que fossem criadas altas tarifas sobre produtos importados, o que fez que a crise se tornasse internacional.

Dica: de que maneira a crise do "liberalismo econômico" nas décadas de 20 e 30 pode ser comparada com a crise do neoliberalismo das últimas décadas?

Claudio B. Recco é coordenador do site www.historianet.com.br, professor do Curso Objetivo e autor de novo livro "História em Manchete - O Início do Século"
 

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