Educação
19/05/2003 - 09h23

Região de Campinas (SP) supera Estado em evasão escolar

KLEBER TOMAZ
da Folha de S.Paulo, em Campinas

A taxa de evasão escolar registrada na rede estadual do ensino médio nas três principais cidades da região de Campinas (95 km a noroeste de São Paulo) --Campinas, Jundiaí (60 km a noroeste de São Paulo) e Piracicaba (162 km a noroeste de São Paulo)--, em 2002, supera em três e meio pontos percentuais a média geral do Estado.

Conforme levantamento da Secretaria de Estado da Educação, a média de abandono registrada entre alunos de 15 a 17 anos nos três municípios foi de 8,5%. O índice entre os 645 municípios atendidos pela educação estadual ficou em torno de 5%.

Piracicaba aparece como a cidade mais afetada pela evasão, com uma taxa de abandono de 9,5%, ou seja, para cada grupo de cem alunos matriculados 9,5 deixaram a escola. Jundiaí vem na sequência, com taxa de evasão de 8,6%; Campinas teve 7,6% de incidência de abandono durante o último ano, segundo a secretaria.

Para o coordenador do Ensino do Interior do Estado de São Paulo, Élcio Selmi, ligado à Secretaria da Educação, a média regional e municipal de evasão envolvendo as três cidades da região é alta. "Para chegar a uma taxa de evasão aceitável as cidades têm de ficar com seus índices equiparados ao da média do Estado [5%]. Mas, zerar esses índices é que seria o ideal", disse Selmi.

As causas para o abandono são muitas. Dentre as citadas por especialistas, coordenadores de ensino e conselheiros tutelares, estão a indefinição de uma política de educação mais integrada e também crianças atuando no mercado de trabalho.

No caso de Paulo Lemos, 15, a exclusão social e a falta de perspectiva na escola foram determinantes para ele se juntar a outros 1.636 alunos do ensino médio em Piracicaba que deixaram a escola no ano passado.

"Minha família estava passando dificuldades financeiras e tive de sair da escola para ajudar no sustento em casa", disse Lemos, que trabalha como engraxate.

Além do fato de estar acima da média de evasão considerada aceitável pelo Estado, Piracicaba também foi a única das três principais cidades da região onde se registrou o aumento do abandono entre 2001 e 2002.

"Houve aumento de 1,6% da taxa de evasão na cidade [Piracicaba] de 2001 para o ano passado, mas isso se justifica pelo aumento do número de matriculados [13.573 em 2001 contra 17.233 em 2002]", disse Selmi.

Apesar de terem registrado queda de abandono no mesmo período, Campinas (2,5%) e Jundiaí (0,5%) ainda não atingiram a meta considerada tolerável pela Secretaria da Educação.

"A pior notícia para nós [da coordenadoria] é saber do aumento da taxa de abandono, porque isso significa que perdemos um aluno", disse Selmi.

Não foi só no ensino médio que as três maiores cidades da região tiveram registros de abandono. Dados da Secretaria da Educação indicam que também houve evasão no ensino fundamental (7 a 14 anos). Porém, a média geral das três cidades da região (1,9%) e municipal de Campinas (1,8%), Jundiaí (2,2%) e Piracicaba (1,8%) ficou abaixo da média estadual (2,9%).

"Geralmente as evasões escolares são mais frequentes durante o ensino médio, pois é nessa fase que o jovem amadurece e percebe que suas perspectivas de trabalho começam a afunilar. Sem visão futura, ele acaba optando por deixar a escola e procura outra coisa para fazer, muitas vezes ilegais", disse Guilherme do Val Toledo Prado, professor doutor da faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
 

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