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07/06/2003 - 18h39

Unicamp veta venda de bebidas alcoólicas no campus

da Folha de S.Paulo, em Campinas

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) proibiu a venda de bebidas alcoólicas dentro das dependências da instituição. A prefeitura do campus começou ontem a enviar ofícios às cantinas de dentro da universidade com a proibição.

Os 30 estabelecimentos que funcionam na Unicamp devem suspender a venda assim que receberem a notificação.

A Unicamp informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que fiscais devem monitorar as cantinas para garantir o cumprimento da cláusula.

A "lei seca", como vem sendo chamada, é uma medida prevista desde 1993, mas que não havia sido aplicada até agora por problemas de fiscalização.

A proibição, que já estava prevista em cláusula do contrato que autoriza o uso do espaço físico pelas cantinas, se restringe à venda de bebidas alcoólicas pelos estabelecimentos existentes dentro da universidade e prevê revogação do contrato em caso de desobediência.

Não há punição prevista para o simples consumo de bebidas alcoólicas dentro do campus, segundo a Unicamp.

A universidade informou que a proibição é parte de uma série de medidas que visam melhorar a qualidade de vida dentro da instituição, como a regulamentação de pontos de comércio e disciplinamento do trânsito.

As festas na Unicamp também estão proibidas desde anteontem. A proibição deve durar até a decisão final do Consu (Conselho Universitário) sobre o assunto.

Na terça-feira, o próprio prefeito da cidade universitária, Carlos Alberto Bandeira Guimarães, chegou a interromper uma festa que estava sendo realizada dentro do campus. A alegação era que havia superlotação e que podia haver problemas de segurança.

O coordenador do DCE (Diretório Central dos Estudantes) Ronald Alexandre Girardeli, 20, afirmou que a decisão da Unicamp de proibir a venda de bebidas alcoólicas dentro do campus é equivocada. Para ele, a medida não deve resolver a questão da violência no local, porque o problema não está restrito à universidade.

"Essa proibição vai estimular a venda de bebidas fora da universidade. Com isso, os alunos vão acabar saindo para beber e podem acabar sendo assaltados."

Para Girardeli, o veto à venda de bebidas e a festas é uma forma da reitoria diminuir a integração entre os alunos. Além disso, ele disse acreditar que as medidas vão cercear a articulação dos movimentos estudantis.

"Uma parte do lucro das cantinas vai para o DCE e para os CAs (Centros Acadêmicos). Como o lucro das cantinas deve diminuir, o repasse para os CAs também vai cair", disse Girardeli.

O estudante classificou a medida como "arbitrária" e afirmou que ela deve provocar uma série de "manifestações inesperadas" dos estudantes.

Girardeli afirma que, na semana que vem, deverá ser convocada uma reunião entre os representantes dos CAs e representantes de salas para discutir a questão.

A proprietária de uma das cantinas do campus, que preferiu não se identificar, afirmou que vai acatar a proibição.


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