Educação
26/06/2003 - 09h31

Cristovam diz ser favorável a reserva de cotas em universidades

JOÃO NOVAES
especial para a Folha Online, em Paris

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, afirmou ontem, em Paris, que é favorável a aplicação de ações afirmativas que têm por objetivo estabelecer cota mínima obrigatória às minorias raciais em universidades públicas.

No entanto, o ministro disse que a responsabilidade da aplicação de tais medidas no Brasil não serão impostas pelo MEC (Ministério da Educação), e que tal iniciativa deverá partir das próprias universidades.

"Não vamos impor a cota a nenhuma universidade. Faz quem quiser, não será uma ação governamental [a de impor reserva de cotas] . Mas elogio a UnB (Universidade de Brasília) por ter implantado recentemente esta medida"

A declaração foi dada durante discurso no Ehess (Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais), em Paris, instituição na qual obteve o seu doutorado em 1973.

Desigualdade

Apesar de apoiar moralmente a idéia de reserva de cotas, o ministro afirmou que a medida não diminuirá as desigualdades no ensino entre negros e brancos.

Para ele, esta ação beneficia principalmente alunos negros de classe média e alta. "A melhor maneira para acabar com essas desigualdades está em fornecer uma boa escola pública para todos."

Cristovam afirmou que as cotas servem como uma medida provisória para resolver um problema moral da sociedade brasileira, já que, para ele, os negros não são representados corretamente no ensino superior brasileiro.
 

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