Justiça anula quatro concursos públicos na USP
MARIA TERESA MORAESda Folha de S.Paulo, em Ribeirão
A Justiça de São Carlos (231 km de SP) suspendeu a execução de quatro concursos públicos abertos pela USP (Universidade de São Paulo) para o preenchimento de vagas no campus da cidade.
Os processos seletivos foram anulados após o Ministério Público de São Carlos avaliar como subjetivos os critérios de aprovação expostos nos editais.
Por causa disso, a Procuradoria da USP decidiu suspender todos os concursos criados pela universidade que tenham em seus editais os mesmos critérios dos processos seletivos anulados pela Justiça de São Carlos.
Os concursos, abertos em abril, tinham por objetivo o preenchimento de oito vagas --quatro para professor docente, uma para jornalista, uma para secretário, uma para técnico de laboratório e outra para técnico contábil.
Transparência
De acordo com o promotor da Cidadania de São Carlos, Osvaldo Bianchini Veronez Filho, o Ministério Público considerou que os critérios do processo não apresentavam a transparência necessária para o concurso.
De acordo com os editais, entrevistas e análises dos currículos dos participantes eram os critérios propostos pela universidade para a eliminação dos candidatos.
Segundo o promotor, os editais de concursos públicos devem estabelecer critérios objetivos na avaliação dos candidatos.
"Entendemos que uma entrevista não pode ser usada para eliminar um candidato da disputa por uma vaga [num concurso público]", disse Veronez Filho.
Dos oito concursos criados, apenas o que oferecia uma vaga para jornalista já havia sido executado e teve suas provas escritas canceladas. Os demais ainda estavam em prazo de inscrição.
Pela decisão judicial, o preenchimento das vagas para o campus de São Carlos só deve ocorrer após a universidade rever os itens dos editais. Os cerca de 50 jornalistas inscritos receberam um comunicado da USP informando o cancelamento da prova.
Sindicato
Apesar de admitir que faltam funcionários e professores na universidade, o Sindicato dos Funcionários da USP concorda com a anulação do concurso.
"A Justiça deveria cancelar todos os concursos em andamento na USP, já que, há pelo menos três anos, todos eles são fraudulentos", afirmou a diretora do sindicato, Neli Maria Pachoareli Wada. A universidade negou que os exames sejam fraudulentos.
Para a sindicalista, as formas como a seleção vem sendo desenvolvida prejudicam os profissionais que buscam uma vaga. Ela disse ainda que a universidade não pode usar a necessidade para criar processos inadequados.
Segundo o sindicato, a universidade não dispõe de uma comissão específica para a aplicação das avaliações dos concursos.
"Funcionários que já trabalham aqui e só podem ser promovidos por meio de concurso acabam sendo prejudicados com as irregularidades cometidas pela universidade", disse Wada.
Leia mais


