Educação
28/09/2003 - 10h23

Estudantes desenvolvem projetos com mercado de trabalho à vista

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TATIANA UEMURA
da Folha de S.Paulo

Pesquisa e cientista não formam a única dupla possível, como costumam achar os vestibulandos. Quem está na faculdade e envolvido em algum projeto segue também outra combinação: pesquisa e profissional diferenciado. Essa é a visão que universidades públicas e particulares estão passando aos estudantes de graduação para envolvê-los mais em projetos de pesquisa, boa parte no interior do Estado.

"Os estudantes entram com pouca idéia do que é. Temos uma preocupação grande em mostrar que a iniciação científica é tão importante para formar cientistas quanto para a carreira profissional", diz Fernando Costa, 53, pró-reitor de Pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Tanto é que um dos motivos de o governo conceder bolsas de iniciação científica é diminuir o tempo de conclusão de mestrados no país.

"Antes, a indústria ficava satisfeita com a especialização, mas agora quer o mestrado, que requer pesquisa", aponta Vera Silvia Marão Beraquet, 51, pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica).

Na pesquisa, desenvolvem-se as capacidades crítica, organizacional e de expressão, atributos valorizados por qualquer recrutador.

"Os estudantes ficam impressionados ao descobrir uma capacidade que não sabiam possuir. Nossa cabeça é muito complexa, com portas que nunca são abertas. A pesquisa vem abrir essas portas", diz Luiz Nunes de Oliveira, 52, pró-reitor de Pesquisa da USP (Universidade de São Paulo).

Bolsas

Não é fácil conseguir uma bolsa para pesquisa. O estudante desenvolve um projeto dentro de uma pesquisa de algum professor-doutor, de preferência, que o orientará e solicitará a bolsa a agências de fomento, como CNPq e Fapesp, ou à própria universidade, que usa recursos próprios.

Alguns alunos são convidados por professores pelo rendimento escolar, condição para conseguir uma bolsa. Muitos começam como voluntários, mas acabam conseguindo pelo menos um ano de bolsa até o término do curso, segundo Erivaldo Antônio da Silva, 39, coordenador do Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
Segundo ele, o número de pedidos aumenta cerca de 10% ao ano para cerca de 1.100 bolsas. Na USP, há perto de 2.500 bolsas de iniciação.

Na Unicamp, o interesse por bolsas também cresceu, segundo o pró-reitor Fernando Costa. As cerca de 1.140 bolsas de iniciação científica não são suficientes para atender aos pedidos.

Apesar de as universidades públicas concentrarem o maior número de pesquisas, as particulares estão se esforçando para mostrar que também dão suas contribuições.

"Ainda há um certo preconceito de que as particulares não sabem fazer pesquisa. Da produção que é divulgada, 90% é das públicas, sendo que 70% do ensino superior está nas particulares. Somos uma das pioneiras na pesquisa do biodiesel da região, por exemplo", afirma Neide de Souza Lehfeld, 55, diretora de Ensino, Pesquisa e Extensão da Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto).

A PUC-Campinas criou sua reitoria de pesquisa no ano passado, conta Beraquet, justamente para fomentar a prática entre professores e alunos. "Há 20 anos, o investimento da PUC era na formação de doutores. Agora, é em grupos de pesquisa."
 

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