Educação
14/12/2003 - 07h16

Modelo de prova da Unesp está "no limite"

ANDRÉ NICOLETTI
da Folha de S.Paulo

O modelo de vestibular da Unesp --que 94.046 candidatos fazem hoje e nos próximos dois dias-- está em seu limite e terá de ser modificado, caso o número de inscritos cresça mais de 10% nos próximos anos. A afirmação é de Fernando Dagnoni Prado, diretor acadêmico da Vunesp, fundação responsável pela prova.

O exame de hoje, comum a todos os candidatos, é composto por 84 testes de múltipla escolha. O de amanhã, de conhecimentos específicos, tem 25 perguntas escritas de matérias que variam de acordo com a carreira. A prova de terça-feira tem dez questões de português e uma redação. O vestibular deste ano contará com 6.310 vagas distribuídas em 155 cursos.

Diferentemente do que acontece nos exames da Fuvest e da Unicamp, por exemplo, a prova da Unesp é aplicada e corrigida em apenas uma fase. Ou seja, todos os candidatos fazem todas as provas, que têm de ser corrigidas no mês de janeiro. Como os exames do segundo e do terceiro dia são escritos, a correção é demorada e cara, já que tem de ser feita manualmente por uma equipe de professores de cada matéria.

No caso da Fuvest, apenas os candidatos que são aprovados para a segunda etapa fazem as provas escritas. Dessa forma, os cem testes da primeira fase servem como uma espécie de peneira. Neste ano, dos 157.808 inscritos, apenas 18,7% (29.561) farão a fase seguinte e terão suas provas corrigidas.

Na Unesp, com o atual modelo, terão de ser corrigidas cerca de 90 mil redações, além das provas de conhecimentos específicos. Além do problema financeiro, há dificuldades logísticas. "Como a nova LDB [Lei de Diretrizes e Bases da Educação] determina que os cursos superiores têm de ter no mínimo 200 dias letivos por ano, as aulas não podem começar no meio de março, e nós temos pouco tempo para corrigir as provas. Com 105 mil candidatos, não teríamos tempo de corrigir as provas a tempo", disse Prado.

A medida de dividir o exame em duas fases, entretanto, não seria tomada já para o ingresso em 2005. "Não podemos surpreender os vestibulandos que se preparam tendo em vista um determinado modelo de prova. A divulgação tem de ser com muita antecedência para não prejudicar os estudantes", disse ele.
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca