Fuvest, Unicamp e Unesp estudam reunificar vestibulares
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FÁBIO TAKAHASHIda Folha Online
A maratona de provas para os vestibulandos pode terminar. As comissões dos vestibulares da Unicamp, USP e Unesp estudam a possibilidade de reunificar as provas. A idéia não foi discutida oficialmente. Em um primeiro momento, a intenção dos organizadores é deixar os vestibulares mais parecidos a partir deste ano.
"Temos essa idéia [de unificação] há um tempo, mas vamos ver se agora, em 2004, conseguimos colocar o pé na tábua", afirmou o coordenador executivo da Comvest (comissão que organiza o vestibular da Unicamp), Leandro Tessler.
Tessler, porém, vê dificuldades. "É uma operação complicada. Além disso, o perfil dos alunos é diferente. A Unicamp não abre mão de selecionar um candidato muito atento à realidade."
O coordenador da Fuvest (fundação que aplica a prova para a USP), Roberto Costa, se diz a favor da unificação, mas também ressalta a complexidade da operação. "Isso envolve ainda a vontade da reitoria. Nós, da comissão do vestibular, somos os pedreiros. Se mandam a gente construir uma parede torta, temos de fazer."
Procurada pela reportagem da Folha Online, a reitoria da USP não se manifestou sobre o assunto.
De acordo com Tessler, o contato inicial para começar a discutir a unificação dos vestibulares será feito após o término da prova da Unicamp --a primeira lista de aprovados sairá em 4 de fevereiro; a Fuvest divulga o resultado na mesma data.
Unesp neutra
O diretor acadêmico da Vunesp, Fernando Prado, não se posicionou contra ou a favor. Ele preferiu dividir os argumentos. "Uma unificação diminuiria o estresse financeiro, emocional e físico dos candidatos. O governo também gastaria menos", apontou.
"Por outro lado, quando era tudo unificado [até 1981], havia um problema de preenchimento das vagas. Os classificados que moravam na capital passavam em cursos no interior e depois pediam remanejamento", contou Prado. "Isso atrasava o começo das aulas."
Prado comentou ainda a diferença entre os programas. "O principal está em língua portuguesa. A Unesp não concorda com uma lista obrigatória de livros. A gente prefere colocar um texto das obras na prova e, a partir daí, fazer a pergunta."
Para o diretor da Vunesp, caso a unificação ocorra, o modelo da Fuvest seria o ideal. "Teria de ser um dia de prova, com testes de múltipla escolha. Depois, uma nota de corte alta, para os melhores irem para a segunda fase."
Além disso, a alteração teria de ser colocada em prática já no começo do ano, para que os alunos se preparassem. "Por isso acho difícil para o vestibular 2005. Se a coisa andar, deverá sair para o de 2006."
Volta ao passado
Até 1981, USP, Unicamp e Unesp selecionavam os candidatos pela Fuvest. Naquele ano, a Unesp preferiu criar seu próprio vestibular, iniciativa seguida pela Unicamp em 1987.
"O modelo não estava trazendo os candidatos com o perfil de cada instituição", comentou Prado. "Por isso é bom pensar muito bem antes de unificar novamente. Não podemos fazer um modelo que gere mais estresse para os candidatos."
Números
Neste ano, os três vestibulares, juntos, reuniram 302.403 inscritos, para 18.171 vagas. O maior é o da Fuvest, com 157.808, para 8.927 vagas.
A Vunesp teve 94.046 inscritos, para 6.310 lugares; a Comvest contou com 50.549 candidatos, para 2.934 vagas.
A Fuvest aplica a seleção para a Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Academia de Polícia Militar do Barro Branco.
A Vunesp seleciona os alunos para a Unesp (Universidade Estadual Paulista), e a Comvest, para a Unicamp (Universidade de Campinas).
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