MEC quer mudar exame para residência médica
da Folha OnlineO Ministério da Educação (MEC) pretende mudar o exame de admissão de residência dos graduandos em medicina. A alteração deve ser colocada em prática já neste ano.
Segundo o MEC, a prova se tornou alvo de cursinhos preparatórios, que chegam a cobrar R$ 400 por mês.
"Precisamos acabar com a exclusão social e democratizar o conhecimento", disse Antônio Carlos Lopes, professor de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), novo secretário-executivo da Comissão Nacional de Residência Médica.
O exame, segundo Lopes, concentra-se no raciocínio hipotético-dedutivo. "É inadmissível que prevaleça a ética dos cursinhos em detrimento da responsabilidade social dos médicos. Atualmente, estamos tratando de doenças, não dos doentes",
O secretário defende a relação médico-paciente. "Precisamos de um currículo humanista, centrado na comunidade, e não tecnicista."
A proposta de mudança, a ser debatida pelos integrantes da Comissão Nacional de Residência Médica, prevê que o exame inclua, além de conhecimento teórico, as habilidades adquiridas, a vivência da ética e das atitudes.
Os cursinhos preparatórios são criticados, ainda, por tirarem os alunos da universidade antes do curso ser concluído, para que eles se preparem para as provas.
A idéia do secretário-executivo é manter os formandos na universidade no último semestre. O novo exame poderia aplicar prova prática, como aula à beira do leito. "Os cursinhos não teriam como dar aulas assim. Só a universidade", diz Lopes.
Novos cursos
O secretário-executivo da Comissão Nacional de Residência Médica apóia a resolução do Conselho Nacional de Saúde que recomendou a suspensão da abertura de cursos universitários na área de saúde por 60 dias. Defende, porém, prazo maior. "A suspensão deveria ser de dois anos", diz. "Afinal, esses cursos aceitam os alunos com qualquer nota, uma vez que o modelo pedagógico está só no papel. É um absurdo".
Com informações do MEC

