Educação
12/03/2004 - 06h46

Professores da PUC-SP ameaçam entrar em greve

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FERNANDA MENA
da Folha de S.Paulo

Por conta de atrasos sistemáticos de salários, do não recebimento da segunda parcela do 13º e da demora no cumprimento do acordo salarial de 2003, os professores da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) realizarão uma paralisação na próxima quinta-feira e ameaçam entrar em greve caso não haja acordo com a reitoria.

Na última quarta, os docentes já realizaram uma paralisação para a discussão das propostas da reitoria, que não foram aprovadas em assembléia.

Os professores pedem a segunda parcela do 13º, o ressarcimento das perdas salariais sofridas com os atrasos no pagamento que ocorrem desde maio do ano passado e o cumprimento do acordo salarial feito para 2003 --que previa a parcela de 7,8% do reajuste a partir de setembro passado. O reajuste só foi aplicado em 1º de janeiro.

A proposta da reitoria recusada previa o parcelamento do pagamento dos 7,8% em três vezes (em março, junho e setembro) e do saldo devedor do 13º salário em duas vezes (em agosto e outubro), e a aplicação do índice de 7,47% de um salário vigente em dezembro de 2003 para a correção das perdas salariais provocadas pelos atrasos em seu pagamento.

Outro ponto bastante discutido pelos professores que ameaçam entrar em greve é a redução, feita no início deste ano, de horas letivas nos contratos de alguns docentes. "Muitos tiveram seus contratos reduzidos unilateralmente, por decisão da vice-reitoria acadêmica. Há um conflito entre aquilo que os professores adquiriram como direito ao longo de suas carreiras e a redução proposta pela reitoria", disse Priscila Cornalbas, 52, diretora da Apropuc (associação de docentes).

A redução das horas letivas e o aumento das mensalidades são apontados como outros indicativos da crise. As mensalidades subiram 13,5% em 2004 --quando a inflação de 2003, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 9,3%.

Procurado pela Folha, o reitor da PUC, Antônio Carlos Caruso Ronca, não quis comentar o caso.

Até a paralisação da próxima semana, os professores pretendem negociar com a reitoria os pagamentos atrasados e as reduções feitas nos contratos de trabalho. Na quinta, dia da paralisação, haverá reuniões sobre as discussões da semana. "Se as unidades não conseguirem negociar com a reitoria ou a discussão tenha ocorrido sem avanços, haverá outra assembléia pautada com indicativo de greve", afirma Cornalbas.

No ano passado, a PUC teve uma greve de funcionários em maio e uma ameaça de greve dos professores em outubro.
 

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