29/09/2004
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15h04
da Folha Online
O Ministério da Educação definiu, por meio da Lei de Diretrizes e Bases, que até 2006 nenhum professor do ensino fundamental e médio do setor público poderá entrar em uma sala de aula sem possuir curso superior. Nesse sentido, se explica o fato da principal clientela atendida nos cursos de graduação a distância ser justamente formada por professores. Trata-se de uma questão de decidir o destino dos recursos existentes.
Hoje, 33 instituições no país são liberadas pelo MEC para ministrar 51 cursos de formação universitária a distância. Se contabilizados os cursos de pós-graduação e os seqüenciais (formação superior com duração de dois anos), mais de 65 entidades são liberadas para dar aulas nas mais variadas áreas, atingindo cerca de 84 mil alunos.
Segundo dados do MEC, porém, desses 51 cursos, 45 têm como objetivo completar a formação de educadores. A Faculdade On-line UVB (Universidade Virtual Brasileira) responde por quatro dos cursos que sobram: administração, marketing, ciências econômicas e secretariado. A Faculdade de Administração de Brasília pelo quinto curso e a PUC do Rio Grande do Sul, pelo último (engenharia química).
Para o MEC, além da Lei de Diretrizes, pesam outros dois fatores sobre a questão. Primeiro o de existir no Brasil um déficit de 235 mil professores de matemática, física, química e biologia. Por exemplo: enquanto nos últimos 12 meses 7,2 mil pessoas se formaram na licenciatura de física, havia vagas para empregar 23,5 mil professores no setor.
Em segundo lugar está a crença de que esses professores treinados pela educação a distância serão multiplicadores e instrumentos de ampliação da inclusão digital, considerada fundamental para o crescimento da modalidade. Isso porque eles poderão passar informações sobre tecnologia e computadores, no dia-a-dia, ao público que formará a massa de trabalhadores do futuro.
Modelos
Duas das universidades com esse perfil de ensino são a UnB (Universidade de Brasília) e a Universidade Federal do Mato Grosso. Esta última tem o curso de graduação a distância mais antigo do país: desde 1995, já formou mais de 15 mil professores para atuar no ensino fundamental (da 1ª a 8ª série).
Já na UnB, cerca de 700 alunos já passaram pelo curso de Pedagogia à distância da universidade. Segundo Rosângela Barz, uma das responsáveis pela divulgação da modalidade da instituição, todas as pessoas atendidas são moradoras do Distrito Federal. "São todos professores leigos (sem formação universitária) da rede estadual, selecionadas a partir de uma parceria com o governo do Estado. A maioria só tem tempo de estudar à noite, quando não há aulas de Pedagogia no curso regular", explica Barz.
Fora isso, seria impossível formar uma quantidade tão grande de professores pelo método de aulas presenciais. Segundo Barz, uma sala normalmente possui 40 alunos. "A educação a distância quadruplica, no mínimo, esse número. Atendemos em cada turma cerca de 150 pessoas", afirma.
O próximo curso a ser promovido pela UnB, também de licenciatura, será o de biologia. O programa foi aprovado no dia 24 de agosto deste ano, junto com o proposto por outras 35 instituições públicas federais, estaduais e municipais --ao todo, serão criadas 17.585 vagas em cursos de graduação nas áreas de pedagogia, matemática, biologia, física e química. Como todas elas formam consórcios, as aulas chegarão a pessoas de outros Estados. "A lei exige que 20% das aulas da graduação sejam presenciais. E sem as parcerias, ficaria impossível atender a quem mora muito longe da UnB", diz ela.
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CAMILA MARQUESda Folha Online
O Ministério da Educação definiu, por meio da Lei de Diretrizes e Bases, que até 2006 nenhum professor do ensino fundamental e médio do setor público poderá entrar em uma sala de aula sem possuir curso superior. Nesse sentido, se explica o fato da principal clientela atendida nos cursos de graduação a distância ser justamente formada por professores. Trata-se de uma questão de decidir o destino dos recursos existentes.
Hoje, 33 instituições no país são liberadas pelo MEC para ministrar 51 cursos de formação universitária a distância. Se contabilizados os cursos de pós-graduação e os seqüenciais (formação superior com duração de dois anos), mais de 65 entidades são liberadas para dar aulas nas mais variadas áreas, atingindo cerca de 84 mil alunos.
Segundo dados do MEC, porém, desses 51 cursos, 45 têm como objetivo completar a formação de educadores. A Faculdade On-line UVB (Universidade Virtual Brasileira) responde por quatro dos cursos que sobram: administração, marketing, ciências econômicas e secretariado. A Faculdade de Administração de Brasília pelo quinto curso e a PUC do Rio Grande do Sul, pelo último (engenharia química).
Para o MEC, além da Lei de Diretrizes, pesam outros dois fatores sobre a questão. Primeiro o de existir no Brasil um déficit de 235 mil professores de matemática, física, química e biologia. Por exemplo: enquanto nos últimos 12 meses 7,2 mil pessoas se formaram na licenciatura de física, havia vagas para empregar 23,5 mil professores no setor.
Em segundo lugar está a crença de que esses professores treinados pela educação a distância serão multiplicadores e instrumentos de ampliação da inclusão digital, considerada fundamental para o crescimento da modalidade. Isso porque eles poderão passar informações sobre tecnologia e computadores, no dia-a-dia, ao público que formará a massa de trabalhadores do futuro.
Modelos
Duas das universidades com esse perfil de ensino são a UnB (Universidade de Brasília) e a Universidade Federal do Mato Grosso. Esta última tem o curso de graduação a distância mais antigo do país: desde 1995, já formou mais de 15 mil professores para atuar no ensino fundamental (da 1ª a 8ª série).
Já na UnB, cerca de 700 alunos já passaram pelo curso de Pedagogia à distância da universidade. Segundo Rosângela Barz, uma das responsáveis pela divulgação da modalidade da instituição, todas as pessoas atendidas são moradoras do Distrito Federal. "São todos professores leigos (sem formação universitária) da rede estadual, selecionadas a partir de uma parceria com o governo do Estado. A maioria só tem tempo de estudar à noite, quando não há aulas de Pedagogia no curso regular", explica Barz.
Fora isso, seria impossível formar uma quantidade tão grande de professores pelo método de aulas presenciais. Segundo Barz, uma sala normalmente possui 40 alunos. "A educação a distância quadruplica, no mínimo, esse número. Atendemos em cada turma cerca de 150 pessoas", afirma.
O próximo curso a ser promovido pela UnB, também de licenciatura, será o de biologia. O programa foi aprovado no dia 24 de agosto deste ano, junto com o proposto por outras 35 instituições públicas federais, estaduais e municipais --ao todo, serão criadas 17.585 vagas em cursos de graduação nas áreas de pedagogia, matemática, biologia, física e química. Como todas elas formam consórcios, as aulas chegarão a pessoas de outros Estados. "A lei exige que 20% das aulas da graduação sejam presenciais. E sem as parcerias, ficaria impossível atender a quem mora muito longe da UnB", diz ela.
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