Educação
18/10/2004 - 12h13

Público da EAD no Senai vai de empresas à comunidade

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CAMILA MARQUES
da Folha Online

Os trabalhos do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) são regionalizados. A direção de cada Estado define como e quais cursos ofertar. "São necessidades bem peculiares. Se num lugar o forte é a mineração, o Senai vai ofertar aulas para este setor. Se a demanda é por funcionários de indústrias de montagem de carros, as aulas serão voltadas para elas. O mesmo ocorre com os cursos a distância", explica Paula Martini, coordenadora de Educação a Distância do Departamento Nacional.

Na Bahia, por exemplo, a EAD começou a ser ofertada em 1993, por meio das apostilas e dos vídeos. Dez anos depois foi criado o Nead (Núcleo de Educação a Distância). "Nossa base, desde o começo, é o treinamento corporativo, dentro das empresas. Desde o surgimento da internet no Senai [2000], nosso recurso principal é o e-learning [ensino pela web]", explica Ricardo Santos Lima, 37 anos, gerente do Nead-BA. Em 11 anos, ele estima que 15 mil pessoas tenham usufruído do programa.

Para isso, uma equipe multidisciplinar de técnicos criou softwares chamados de EDUMAX (Educação Máxima), com 17 tipos de treinamentos. Além disso, o Senai-BA tem "serviços customizados". "Se uma empresa precisa treinar seus funcionários para alguma função específica ou nova tarefa, eles nos apresentam o conteúdo que nós desenvolvemos o material e o curso", diz Lima. Entre os clientes da entidade no Estado estão, por exemplo, a Petrobras, a Braskem e a Xerox.

Comunidade

Perfis completamente opostos ao do Senai-BA, que visa as empresas, são os da entidade em São Paulo, Santa Catarina e Goiás. Nestes três Estados, o atendimento à comunidade na EAD é prioridade.
Em São Paulo, Estado com o maior número de unidades Senai (cerca de 80 centros), são 16 opções de cursos. Ao contrário de Santa Catarina e Goiás, onde a internet é a ferramenta mais usada, em São Paulo o material impresso é o mais utilizado. "Ofertamos cursos a distância há mais de 15 anos. Mas só a partir de 2000 começamos a reunir dados, a operacionalizar a didática e oferecer curso on-line", diz Ivete Palange, coordenadora de Educação a Distância do Senai do Estado.

Segundo Ivete, o público ainda prefere os métodos tradicionais --livros, apostilas e vídeos-- por se sentir mais amparado. "Seja qual for o meio, a prioridade é dar auxílio pleno ao aluno. Só assim se controla a evasão. Recebemos contatos por carta, telefone", explica.

De 2003 para 2004, a coordenadora cita a definição de um período mínimo para concluir o curso como mudança "fundamental" para controlar a evasão. "Antes, o aluno estudava quando podia e, às vezes, levava um ano para acabar o conteúdo. Hoje, há definição de começo e fim. Nesse meio tempo, ele é obrigado a mandar trabalhos, por exemplo, no período de dois meses", afirma Ivete. Segundo ela, as turmas pequenas --de no máximo 40 alunos em cursos com matrial impresso e 30 pela internet-- também ajudam a manter o estudante interessado.

Apesar da internet ainda não ser empregada em todas as modalidades, são cursos on-line os dois mais procurados: automação industrial (70 horas-aula, cerca de dois meses) e segurança no trabalho (40 horas, um mês).

De 2000 para cá, justamente pelo uso da internet, a oferta de cursos começou a crescer. E foi só nos últimos dois anos que o Senai em São Paulo passou a analisar o público atendido no ensino a distância. Em 2003, 475 alunos se formaram pelas EAD em São Paulo, número que dobrou em 2004, quando 1.050 pessoas usufruíram da modalidade. "Esperamos manter o crescimento para o ano que vem. Até agora não fizemos nenhuma publicidade da área, o que deve ocorrer em 2005", diz a coordenadora.

Goiás e Santa Catarina

Em Goiás, o Senai oferece quatro cursos técnicos, de longa duração (1.340 horas-aula, cerca de dois anos), e 23 cursos de aperfeiçoamento e qualificação (15h a 240 horas-aula). "Os cursos técnicos têm 623 alunos matriculados desde agosto de 2003, quando o Conselho Estadual [de Educação] nos deu permissão de funcionar na área. Pelos outros, que não precisam de autorização, já passaram 380 pessoas", explica Cristiane dos Reis Brandão, 35 anos, coordenadora de EAD no Estado.

Por ser um núcleo de EAD recente, todos os cursos em Goiás tem como ferramenta principal a internet, apoiada por apostilas e CD-Room. Outro diferencial é o perfil do público atendido. "Direcionamos nossos cursos para alunos que ainda estejam no segundo grau e sejam carentes. Vamos às escolas, selecionamos os que têm melhores notas e fazemos um convite para que ele, acompanhado dos pais, visite um Senai. Aí apresentamos o projeto", diz Cristiane

Segundo ela, se o aluno tiver interesse e não possuir computador, ele pode usar um nas unidades do Senai. Apesar de visar um público carente, os cursos são pagos. "Temos planos que facilitam o pagamento, algumas bolsas", explica Cristiane.

A história da EAD em Santa Catarina --a região Sul do país é uma das mais avançadas na modalidade-- começou em 1994. Porém, assim como no restante do país, foi entre 2000 e 2001 que o ensino não presencial se consolidou, com a criação do Núcleo EAD.

Em dez anos, o Senai-SC estima que seis mil alunos passaram pelas aulas a distância. Hoje, são 400 matriculados em 27 cursos diferentes, o equivalente a 1,5% dos alunos nas aulas presenciais, segundo João Roberto Lorenzetti, coordenador da área no Estado.

Além da internet, ferramenta mais usada nos cursos, Lorenzetti aponta como recurso "bem aceito" pela população o jornal. Segundo ele, alguns cursos foram adaptados e o conteúdo encartado em fascículos semanais nos diários de grande circulação do Estado. "Após estudar, os interessados marcavam uma prova no Senai e, se classificados, tiravam um certificado", diz.

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