Educação
24/11/2004 - 10h25

Manifestantes pró-cotas são agredidos por estudantes da USP

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da Folha Online

Uma manifestação de entidades estudantis e do movimento negro realizada na terça-feira, no centro de São Paulo, por cotas sociais nas universidades, acabou em cenas de agressões.

Estudantes da Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, onde o ato foi encerrado, jogaram água, pedaços de papel higiênico molhado e um saco de lixo com papel molhado sobre cerca de cem manifestantes.

Os manifestantes haviam se acorrentado simbolicamente às colunas das arcadas do pátio da faculdade quando foram agredidos. Não houve confronto direto e outros estudantes da faculdade tentaram evitar as agressões.

A manifestação foi a primeira a deflagrar a Semana de Ocupações das Universidades Públicas, organizada pela Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), UNE (União Nacional dos Estudantes) e as entidades do movimento negro Unegro e Educafro. Durante esta semana, uma série atos será realizada em universidades públicas pelo país.

O presidente da UNE, Gustavo Petta, acredita que o ataque sofrido pelos manifestantes "é o retrato de que alguns setores ainda não aprenderam conviver com a democracia. É uma reação de setores conservadores, que não querem a democratização da universidade. Mas mais do que isso é uma reação violenta, de conservadores que não aceitam o debate".

A principal reivindicação das entidades é a aprovação do projeto de lei 3.627/04, que garante reservas de 50% das vagas nas universidades públicas federais, por curso e por turno, para estudantes que fizeram o ensino médio em escolas públicas, contemplando as cotas raciais de cada região amparando-se em dados do IBGE.

Eles também querem que em quatro anos seja duplicado o número de vagas nas universidades públicas e que seja criado um plano nacional de assistência estudantil.

Com Agência Brasil

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