29/11/2004
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10h18
ALEXANDRE NOBESCHI
da Folha de S. Paulo
A primeira fase da Fuvest, aplicada domingo, priorizou a interpretação de textos, gráficos e figuras, de acordo com professores ouvidos pela Folha. Essas habilidades são, tradicionalmente, mais exploradas no Enem --exame do governo federal que avalia o desempenho dos alunos do ensino médio.
O próprio coordenador da Fuvest, Roberto Costa, admite que o maior vestibular do país "tornou-se uma prova com menos cálculos". Questionado sobre a semelhança com o Enem, respondeu que "de certa forma [há semelhança], sim". "Até olhamos o Enem para formularmos a nossa prova." Costa, porém, ressalta que o exame do governo federal não divide a prova em disciplinas, diferentemente da Fuvest.
Segundo o coordenador de química do cursinho Etapa, Edison de Barros Camargo, "até deu impressão de que foi outra banca que fez a prova". Para ele, muitas respostas em sua disciplina poderiam ser encontradas apenas observando os gráficos.
Opinião parecida teve o professor de matemática do cursinho Poliedro Umberto Malanga. "A gente percebeu que a Fuvest focou mais o raciocínio", apontou. Embora reconheça que o exame esteve mais interdisciplinar, como o Enem, o professor de química do Poliedro Guilherme Bastos afirmou que a Fuvest não cobrou conhecimentos apenas relacionados ao cotidiano. "A avaliação exigiu um treino de raciocínio que o Enem não pede."
O vestibulando Frederico Arelaro, 22, concorda que o exame exigiu mais interpretação, especialmente em português. Para ele, a mudança deixou as questões "mais difíceis" na disciplina.
Como foi a prova
Para os professores, a prova de física foi mais simples do que no ano passado. "Houve poucas contas. Foi cobrado mais raciocínio", disse o coordenador da área no Etapa, Marcelo Monte Forte.
Em química, o coordenador da matéria no cursinho Objetivo, Antonio Mario Salles, considera que a disciplina "deu dor de cabeça": "Houve uma ênfase maior aos exercícios de físico-química".
Já as questões de matemática foram "clássicas", sem inovações e bem elaboradas, segundo o coordenador da disciplina no Objetivo, Giuseppe Nobilioni.
Português, na opinião da coordenadora da área no Etapa, Célia Passoni, foi "até fácil". Para ela, "se depender de português, a nota de corte vai aumentar".
Já o professor do Objetivo Fernando Teixeira disse que as questões de interpretação de texto foram as que apresentaram maiores dificuldades. "Exigia do candidato um papel de leitor atento."
Em geografia, a coordenadora do Objetivo, Vera Lúcia da Costa, disse que ficou surpresa por não ter sido cobrado nada sobre o Oriente Médio. O coordenador da disciplina no Etapa, Omar Sadil, considerou "a prova tranqüila".
As questões de história "não apresentaram grandes dificuldades", na opinião do coordenador da área no Etapa, Rogério Forastieri da Silva. "Se o vestibulando lesse os textos com cuidado, conseguiria a resposta."
Já biologia foi considerada simples. "Foram perguntas bem batidas", disse o coordenador da disciplina no Objetivo, Luiz Carlos Bellinello. Para o coordenador do Etapa, Angelo Antonio Pavone, o exame apresentou textos, gráficos e figuras mais bem elaborados do que no ano passado.
Em inglês, a coordenadora do Objetivo, Maria Cristina Armaganijan, afirmou que foi uma avaliação "tradicional".
O resultado da primeira fase sai no dia 17 de dezembro. Compareceram à primeira fase 147.922 dos 154.514 inscritos.
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Primeira fase da Fuvest exige mais interpretação
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FÁBIO TAKAHASHIALEXANDRE NOBESCHI
da Folha de S. Paulo
A primeira fase da Fuvest, aplicada domingo, priorizou a interpretação de textos, gráficos e figuras, de acordo com professores ouvidos pela Folha. Essas habilidades são, tradicionalmente, mais exploradas no Enem --exame do governo federal que avalia o desempenho dos alunos do ensino médio.
O próprio coordenador da Fuvest, Roberto Costa, admite que o maior vestibular do país "tornou-se uma prova com menos cálculos". Questionado sobre a semelhança com o Enem, respondeu que "de certa forma [há semelhança], sim". "Até olhamos o Enem para formularmos a nossa prova." Costa, porém, ressalta que o exame do governo federal não divide a prova em disciplinas, diferentemente da Fuvest.
Segundo o coordenador de química do cursinho Etapa, Edison de Barros Camargo, "até deu impressão de que foi outra banca que fez a prova". Para ele, muitas respostas em sua disciplina poderiam ser encontradas apenas observando os gráficos.
Opinião parecida teve o professor de matemática do cursinho Poliedro Umberto Malanga. "A gente percebeu que a Fuvest focou mais o raciocínio", apontou. Embora reconheça que o exame esteve mais interdisciplinar, como o Enem, o professor de química do Poliedro Guilherme Bastos afirmou que a Fuvest não cobrou conhecimentos apenas relacionados ao cotidiano. "A avaliação exigiu um treino de raciocínio que o Enem não pede."
O vestibulando Frederico Arelaro, 22, concorda que o exame exigiu mais interpretação, especialmente em português. Para ele, a mudança deixou as questões "mais difíceis" na disciplina.
Como foi a prova
Para os professores, a prova de física foi mais simples do que no ano passado. "Houve poucas contas. Foi cobrado mais raciocínio", disse o coordenador da área no Etapa, Marcelo Monte Forte.
Em química, o coordenador da matéria no cursinho Objetivo, Antonio Mario Salles, considera que a disciplina "deu dor de cabeça": "Houve uma ênfase maior aos exercícios de físico-química".
Já as questões de matemática foram "clássicas", sem inovações e bem elaboradas, segundo o coordenador da disciplina no Objetivo, Giuseppe Nobilioni.
Português, na opinião da coordenadora da área no Etapa, Célia Passoni, foi "até fácil". Para ela, "se depender de português, a nota de corte vai aumentar".
Já o professor do Objetivo Fernando Teixeira disse que as questões de interpretação de texto foram as que apresentaram maiores dificuldades. "Exigia do candidato um papel de leitor atento."
Em geografia, a coordenadora do Objetivo, Vera Lúcia da Costa, disse que ficou surpresa por não ter sido cobrado nada sobre o Oriente Médio. O coordenador da disciplina no Etapa, Omar Sadil, considerou "a prova tranqüila".
As questões de história "não apresentaram grandes dificuldades", na opinião do coordenador da área no Etapa, Rogério Forastieri da Silva. "Se o vestibulando lesse os textos com cuidado, conseguiria a resposta."
Já biologia foi considerada simples. "Foram perguntas bem batidas", disse o coordenador da disciplina no Objetivo, Luiz Carlos Bellinello. Para o coordenador do Etapa, Angelo Antonio Pavone, o exame apresentou textos, gráficos e figuras mais bem elaborados do que no ano passado.
Em inglês, a coordenadora do Objetivo, Maria Cristina Armaganijan, afirmou que foi uma avaliação "tradicional".
O resultado da primeira fase sai no dia 17 de dezembro. Compareceram à primeira fase 147.922 dos 154.514 inscritos.
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