25/02/2005
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09h26
da Folha Online
O atual ministro da Educação, Tarso Genro (PT), e o ex-ministro Paulo Renato Souza (PSDB) trocaram duras críticas nesta quinta-feira, durante debate sobre a reforma universitária promovido pela Folha de S. Paulo. O antecessor de Genro no cargo, Cristovam Buarque (PT), também participou do evento. Os três deixaram bem claro suas opiniões divergentes acerca de várias questões do ensino brasileiro, entre elas a que se refere ao ensino superior.
A mais marcante delas se referiu justamente à regulação da educação universitária no país. Para Tarso Genro, a regulação deve ser estatal, pois a educação, apesar de ser promovida por instituições privadas em alguns níveis, é um serviço de interesse público. Tal regulação é um dos pontos abordados no anteprojeto da reforma universitária.
Paulo Renato, por sua vez, defendeu que as leis de mercado devem regular o setor. Segundo ele, o Provão, instituído em sua gestão, foi uma criação do governo federal, mas que deu mecanismos para que a concorrência melhorasse a qualidade dos cursos. "Os cursos melhores colocados passaram a ter mais procura. Os com notas D e E perderam demanda", disse ele. Para o ex-ministro, quem procura um curso superior tem condições de saber quais as faculdades que só pensam em ter lucros e deixam a qualidade em segundo plano.
Um dos pontos mais tensos do debate ocorreu quando Genro declarou que a posição Paulo Renato condiz com sua posição atual de trabalho --o ex-ministro de FHC trabalha como consultor, principalmente para instituições privadas.
Paulo Renato pediu direito de resposta e afirmou ter, historicamente, uma relação com o ensino público, sendo até reitor da Unicamp (Universidade de Campinas). Na seqüência, Tarso Genro pediu desculpas se o colega entendeu "errado" alguma de suas afirmações, e que retirava formalmente qualquer coisa que tenha dito e ofendido o ex-ministro.
Em sua fala, Cristovam Buarque elogiou tanto Tarso Genro, pela ousadia de apresentar um "projeto desse", como Paulo Renato, que promoveu o crescimento efetivo do ensino superior no país. No entanto, ressaltou que agora tudo precisa evoluir: o anteprojeto precisa ser muito melhorado, porque não aborda muitas questões fundamentais, e a qualidade dos cursos abertos precisa crescer.
A principal crítica de Buarque ao anteprojeto se refere ao fato dele atrelar 75% dos recursos do MEC (Ministério da Educação) às instituições federais. Além disso, afirmou que ele não contempla as novas tecnologias de ensino, como a Educação a Distância (EAD), "fundamentais hoje em dia para aumentar o público do ensino superior", e não moderniza as estruturas dos cursos (como ao tempo de duração, por exemplo).
Para o senador petista, a restrição de apenas 30% de participação de capital estrangeiro na educação é um entrave para a evolução do sistema --a mesma posição foi defendida por Paulo Renato.
Buarque também usou grande parte de seu tempo no debate para ressaltar a importância da educação infantil, que deveria, na opinião dele, passar a ser de responsabilidade do governo federal. Ele fez um apelo para que o atual ministro não envie ao Congresso o projeto de reforma universitária sem mandar, também, o projeto de reforma da educação básica. "As crianças são tão importantes como os universitários", disse ele.
Se as posições dos ex-ministros e ministro apareceram bem definidas e antagônicas, o mesmo ocorreu com a platéia, formada por representantes de entidades da educação superior, reitores, estudantes e leitores. Os grupos, divididos, aplaudiram com empolgação cada um de "seus" políticos.
Durante o debate, um grupo de oito membros da Conlute (Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes) realizou um protesto na porta do edifício da Folha. Eles gritavam palavras de ordem e pediam a extinção do projeto da reforma universitária. Para eles, o texto fortalece as universidades particulares e abandona o ensino público.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre a reforma universitária
Paulo Renato e Tarso Genro trocam críticas durante debate na Folha
CAMILA MARQUESda Folha Online
O atual ministro da Educação, Tarso Genro (PT), e o ex-ministro Paulo Renato Souza (PSDB) trocaram duras críticas nesta quinta-feira, durante debate sobre a reforma universitária promovido pela Folha de S. Paulo. O antecessor de Genro no cargo, Cristovam Buarque (PT), também participou do evento. Os três deixaram bem claro suas opiniões divergentes acerca de várias questões do ensino brasileiro, entre elas a que se refere ao ensino superior.
A mais marcante delas se referiu justamente à regulação da educação universitária no país. Para Tarso Genro, a regulação deve ser estatal, pois a educação, apesar de ser promovida por instituições privadas em alguns níveis, é um serviço de interesse público. Tal regulação é um dos pontos abordados no anteprojeto da reforma universitária.
Paulo Renato, por sua vez, defendeu que as leis de mercado devem regular o setor. Segundo ele, o Provão, instituído em sua gestão, foi uma criação do governo federal, mas que deu mecanismos para que a concorrência melhorasse a qualidade dos cursos. "Os cursos melhores colocados passaram a ter mais procura. Os com notas D e E perderam demanda", disse ele. Para o ex-ministro, quem procura um curso superior tem condições de saber quais as faculdades que só pensam em ter lucros e deixam a qualidade em segundo plano.
Um dos pontos mais tensos do debate ocorreu quando Genro declarou que a posição Paulo Renato condiz com sua posição atual de trabalho --o ex-ministro de FHC trabalha como consultor, principalmente para instituições privadas.
Paulo Renato pediu direito de resposta e afirmou ter, historicamente, uma relação com o ensino público, sendo até reitor da Unicamp (Universidade de Campinas). Na seqüência, Tarso Genro pediu desculpas se o colega entendeu "errado" alguma de suas afirmações, e que retirava formalmente qualquer coisa que tenha dito e ofendido o ex-ministro.
Em sua fala, Cristovam Buarque elogiou tanto Tarso Genro, pela ousadia de apresentar um "projeto desse", como Paulo Renato, que promoveu o crescimento efetivo do ensino superior no país. No entanto, ressaltou que agora tudo precisa evoluir: o anteprojeto precisa ser muito melhorado, porque não aborda muitas questões fundamentais, e a qualidade dos cursos abertos precisa crescer.
A principal crítica de Buarque ao anteprojeto se refere ao fato dele atrelar 75% dos recursos do MEC (Ministério da Educação) às instituições federais. Além disso, afirmou que ele não contempla as novas tecnologias de ensino, como a Educação a Distância (EAD), "fundamentais hoje em dia para aumentar o público do ensino superior", e não moderniza as estruturas dos cursos (como ao tempo de duração, por exemplo).
Para o senador petista, a restrição de apenas 30% de participação de capital estrangeiro na educação é um entrave para a evolução do sistema --a mesma posição foi defendida por Paulo Renato.
Buarque também usou grande parte de seu tempo no debate para ressaltar a importância da educação infantil, que deveria, na opinião dele, passar a ser de responsabilidade do governo federal. Ele fez um apelo para que o atual ministro não envie ao Congresso o projeto de reforma universitária sem mandar, também, o projeto de reforma da educação básica. "As crianças são tão importantes como os universitários", disse ele.
Se as posições dos ex-ministros e ministro apareceram bem definidas e antagônicas, o mesmo ocorreu com a platéia, formada por representantes de entidades da educação superior, reitores, estudantes e leitores. Os grupos, divididos, aplaudiram com empolgação cada um de "seus" políticos.
Durante o debate, um grupo de oito membros da Conlute (Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes) realizou um protesto na porta do edifício da Folha. Eles gritavam palavras de ordem e pediam a extinção do projeto da reforma universitária. Para eles, o texto fortalece as universidades particulares e abandona o ensino público.
Especial

