Educação
31/03/2005 - 16h20

Maioria dos alunos do ensino tecnológico está na rede pública

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CAMILA MARQUES
da Folha Online

O ensino tecnológico, que é um ensino profissionalizante com status de graduação, também é um ponto problemático no que diz respeito à expansão. No último ano, os Cefets (Centros Federais de Educação Tecnológica) conseguiram autonomia para abrir novos cursos e criar mais vagas. Mais uma vez, porém, o entrave é a falta de recursos do governo federal para tal ação.

O Brasil possui 34 Cefets, em 22 Estados. Ainda não têm Cefets os Estados do Acre, Amapá, Rondônia, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal. A rede federal de ensino tecnológico reúne, segundo dados do Inep (Instituto de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), cerca de 34 mil alunos, mais da metade do total de 60 mil estudantes que cursam o ensino superior profissionalizante no país.

No âmbito estadual, um dos destaques na formação de tecnólogos são as Fatecs (Faculdades de Tecnologia). Mais uma vez, a procura (em média, são 32 mil candidatos inscritos por ano) é muito maior que a oferta (são oferecias cerca de 3.000 vagas anualmente).

Ainda de acordo com o Inep, é importante destacar uma tendência inversa à do ensino técnico: apesar de a maioria das vagas serem ofertadas pelo ensino privado (63,76%), há mais alunos freqüentando cursos tecnológicos na rede pública. Enquanto no primeiro setor foram registradas, em 2003, 12.970 novas matrículas, nos cursos públicos o universo foi de 14.325 matrículas.

Soma-se a isso o fato de sobrar quase metade das vagas (ao todo, são 25 mil) ofertadas pela rede privada --na outra ponta, as públicas são totalmente preenchidas. Isso acontece porque cursos tecnológicos, apesar de serem mais curtos (em médias de dois a três anos), são caros para os alunos.

Modelo

Para Carlos Roberto Rocha Cavalcante, 43, superintendente do IEL (Instituto Euvaldo Lodi), instituição da CNI (Confederação Nacional da Indústria), um dos meios para expandir a formação de tecnólogos na rede pública é criar parcerias, principalmente que atendam às demandas regionais.

"Na Alemanha e EUA o perfil da educação tecnológica é completamente diferente. Nesses países há uma grande oferta de cursos de curta duração, voltados para as necessidades da comunidade nas quais estão inseridas", diz Cavalcante. Assim, se em Minas, por exemplo, o forte é a mineração, os cursos devem ser criados em parceria com empresas que trabalhem com mineração.

"As escolas na Alemanha estão construídas dentro das próprias fábricas. Um semestre ou mais do curso ocorre lá dentro, as aulas práticas no dia-a-dia de uma indústria fazem parte da grade curricular. Isso forma um profissional qualificado para atuar no mercado já quando sai do ensino superior", afirma Cavalcante.

Na opinião dele, apesar do diálogo entre empresa e escola existir, ainda tem muito o que avançar.

Reforma universitária

Ao falar sobre a falta de políticas para o crescimento do setor, Cavalcante menciona o fato de o ensino tecnológico não ter sido sequer citado no projeto de reforma do ensino superior feito pelo MEC, o qual vem sendo chamado de reforma universitária. A única menção feita pelo texto refere-se à criação de "Universidades Tecnológicas", mas sem detalhamento.

Assim como fizeram outras entidades, a CNI também apresentou suas sugestões ao texto. Entre elas estão a proposta de criação de mestrados profissionais, em que pessoas trabalhariam para criar projetos que atendessem diretamente às necessidades das empresas, e a discussão do uso do ensino a distância (EAD).

"Faltou clareza com relação à interação entre universidades e as empresas, no nosso caso as indústrias. Não foi sequer mencionado como pode ser feita a formação dos alunos para encaixá-los no setor produtivo", diz Cavalcante.

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