"Palavra-chave em arte é inquietação"
da Folha de S.PauloSer ou não ser artista? Eis uma questão que incomoda muitas pessoas, até mesmo alunos de artes plásticas. É que, em geral, os cursos universitários da área oferecem duas opções de formação: a licenciatura e o bacharelado.
No primeiro caso, estuda-se para, além de conceber uma produção artística, ministrar aulas como arte-educador ou professor de educação artística. No segundo caso, o objetivo, em princípio, é capacitar-se técnica e teoricamente para desenvolver um trabalho artístico pessoal, como gravura, pintura, escultura etc.
Adriana Rocha, 41, artista plástica formada na Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), em 1980, escolheu o segundo caminho. Atualmente, ela divide um ateliê com outros quatro artistas, na Vila Madalena. Para ela, em arte, a palavra-chave é inquietação. "Artista é aquele que, devido a uma inquietação e depois de ver tudo o que já se fez, acredita ter uma contribuição nova e diferente a dar para a sociedade", diz.
Mas será preciso fazer faculdade para ser artista plástico?
Adriana acha importante, mas não fundamental. "Tenho vários amigos que possuem um bom trabalho e não fizeram faculdade", afirma ela.
A estudante Sandra Coraly Kovach, 43, do 6º semestre do curso de artes plásticas da Faculdade de Belas Artes de São Paulo, escolheu o caminho acadêmico. Professora de educação artística há 15 anos, ela diz ter voltado à faculdade para completar, com a licenciatura, o seu curso superior. "É uma exigência do MEC", diz Sandra, que havia feito apenas o bacharelado. Sobre o mercado de trabalho, Sandra afirma que "não está fácil, pois a exigência é cada vez maior".
Como dica para os futuros alunos da área, ela sugere: "O jovem pensa que há receita de bolo, mas não existe. Não há muito segredo, tem que fazer muita pesquisa, ir a museus, ler etc."
Mas será preciso ter "dom" para ser artista?
Para o professor e coordenador do curso de educação artística, habilitação em artes plásticas, Eiji Yajima, 57, também da Faculdade de Belas Artes de São Paulo, a arte contemporânea acabou com a suposta necessidade de um "dom".
"Isso valia na época do academicismo da pintura, da escultura etc. Hoje, com a informática e a fotografia, a arte contemporânea mudou esses conceitos." Para Yajima, porém, a percepção, o "olhar diferenciado" e a criatividade continuam sendo importantes.
Salário médio inicial: R$ 650, por 30 horas semanais como professor do ensino fundamental.


