Educação
09/05/2005 - 12h06

Escolas públicas podem ser caminho para USP

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MARY PERSIA
do Agora

Elas são uma exceção à baixa qualidade do ensino que em geral é oferecido nas escolas públicas. No vestibular da Universidade de São Paulo (USP), seus alunos concorrem em igualdade com jovens que estudaram em colégios particulares da elite da cidade, como o Bandeirantes, o Arquidiocesano e o Dante Alighieri.

O Cefet-SP (Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo), conhecido como Federal, a ETE-SP (Escola Técnica Estadual de São Paulo) e a ETE-GV (Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas) estão entre as 16 instituições que mais têm alunos aprovados nos cursos mais concorridos da USP, segundo pesquisa Datafolha.

"Os alunos já entram aqui com uma boa preparação, e os professores são muito bons", diz Pedro Celestino, professor da ETE-GV --assim como a ETE-SP, administrada pela Fundação Paula Souza.

Pesa ainda para elevado o grau de sucesso no vestibular da USP o fato de a maioria dos alunos do ensino médio dessas instituições fazer também um dos cursos técnicos que elas disponibilizam. "Eles passam o dia inteiro na escola e acabam reforçando, com os cursos técnicos, matérias como física, matemática e nutrição", destaca Celestino.

É o caso de Juliana Freitas de Rosa, 17 anos. Ela terminou o último ano do ensino médio e está concluindo o curso técnico de automação industrial, ambos na ETE-SP. Neste ano, quer prestar vestibular para um curso relacionado a essa área.

Poder estudar em uma dessas instituições é privilégio para poucos --mais exatamente para 910 estudantes a cada ano. Esse é o número total de vagas do ensino médio oferecidas anualmente pela Federal (400), pela ETE-SP (160) e pela ETE-GV (350).

Boa base

Para passar por essa primeira peneira rumo à universidade, é preciso ter uma boa base educacional, geralmente adquirida em uma escola particular, ou contar com a ajuda de cursinhos preparatórios para ser aprovado em vestibulinhos cuja relação candidato/vaga lembra a de cursos superiores --na Federal, chega a 18 candidatos por vaga.

"Em geral, o aluno de classe média se sai melhor [no vestibulinho]", admite Garabed Kenchian, diretor geral do Cefet, que inclui, além da Federal de São Paulo, as de Cubatão (58 km de SP) e Sertãozinho (335 km de SP).

Ele ressalta que o número de vagas do Cefet tem aumentado nos últimos cinco anos em média 10% por ano. "Não temos condições de expandir mais porque não aumentamos o quadro de docentes", afirma.

Segundo Carlos Augusto de Maio, diretor da ETE-SP, mais da metade (cerca de 60%) dos candidatos ingressam na instituição com o auxílio de cursinhos preparatórios. Maio diz não saber precisar o percentual de alunos oriundos de escolas públicas, mas destaca que a condição intelectual é fator preponderante para entrar e permanecer na ETE-SP. "Acima de tudo, é um aluno muito interessado nos estudos."

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