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18/10/2005 - 09h37

Teto de "escola de lata" atinge 60º C

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FABRÍCIO FREIRE GOMES
da Folha de S.Paulo, em Ribeirão Preto

A temperatura no telhado de zinco de "escolas de lata" chega a 60ºC em Ribeirão Preto (314 km a norte de SP), segundo levantamento feito pela USP de São Carlos que será encaminhado ainda nesta semana ao Ministério Público do Estado.

24.abr.2004/Folha Imagem
Escola estadual no Parque Progresso, em Ribeirão Preto
Escola estadual no Parque Progresso, em Ribeirão Preto
A Secretaria de Estado da Educação liberou R$ 98,4 milhões para construir, ampliar e reformar 236 escolas em 188 cidades. A medida, porém, não inclui a substituição de nenhuma das 215 "escolas de lata" --prédios construídos no padrão Nakamura, que usa estrutura metálica no telhado e tem vedação de chapas de aço e madeira-- do Estado.

A medição, realizada pelo especialista em arquitetura bioambiental da USP Francisco Vecchia, aponta que o padrão Nakamura não é adequado para escolas. Entre as principais falhas estão o forro de PVC, que não é um bom isolante térmico, e a altura da salas, abaixo de 3 m, dificultando a circulação de ar.

O pesquisador do Departamento de Engenharia de Estrutura da USP José Elias Laier, que visitou as cinco "escolas de lata" de Ribeirão, critica o material.

"A construção é inadequada para salas de aula. Além do aquecimento das paredes, a concentração de mais de 30 pessoas gera um calor excessivo", diz.

A Secretaria da Educação nega que haja escola de lata --todas as 89 salas de aula na Grande São Paulo que funcionavam em contêineres modulados foram substituídas em julho de 2004.

Havia na capital do Estado 51 escolas municipais de lata no começo do ano. Ainda restam 37, e 14 foram desativadas. Todas serão trocadas por unidades de alvenaria até o início de 2006.

A secretaria diz que há 215 escolas "construídas até 2002 no padrão Nakamura, que é uma estrutura independente metálica com vedação de painéis de chapas de aço e madeira no meio".

Segundo o diretor de Obras e Serviços da FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), Jaderson Spina, responsável pelas obras da secretaria, há um plano de desativar essas escolas, mas sem previsão de datas.

Para o conforto térmico e acústico das escolas, a FDE deve fechar nesta semana um contrato com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).

A Folha ouviu pais e alunos de uma escola metálica de Ribeirão. Todos reclamaram do calor. "Parece uma estufa. Acho um pecado fazerem isso com uma criança", afirmou Antonio Donizeti de Souza, 43, pai de uma aluna de sete anos que foi buscar a filha mais cedo porque a criança estava passando mal.

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