20/12/2005
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09h22
da Folha de S.Paulo
Os professores das universidades federais encerraram ontem uma greve que durou 112 dias --a maior da história da categoria. Eles reivindicavam melhores condições salariais.
A mais longa paralisação na rede até então havia ocorrido em 2001, quando os docentes ficaram parados por 108 dias.
Os professores retornaram ontem ao trabalho, após o comando nacional de greve ter aprovado na semana passada um indicativo para que as atividades voltassem ao normal. A decisão, então, foi analisada em cada universidade.
Apenas quatro instituições decidiram manter o movimento (Federal de Viçosa, Federal de Ciências Agrárias do Pará, Federal de Sergipe e Federal de Patos, no Pará), mas as atividades devem retornar ainda hoje, segundo o comando de greve.
A paralisação chegou a atingir 39 das 61 instituições federais de ensino superior. Agora, cada uma irá decidir o calendário de reposição. Não há registro de perda do semestre letivo em nenhuma dessas universidades.
Em São Paulo, a Unifesp aderiu ao movimento, que durou 56 dias na instituição. As turmas dos dois primeiros anos de todos os cursos ficaram praticamente sem aulas.
Apesar do fim da greve, o movimento não concordou com a proposta apresentada pelo MEC (Ministério da Educação). Mas os professores avaliaram que não havia mais condições de alterar o texto, pois o governo Lula encerrou as negociações e enviou um projeto de lei para o Congresso para impor a sua proposta.
"Não tinha mais sentido continuarmos a paralisação", afirmou o vice-presidente do Andes (sindicato dos docentes), Paulo Rizzo.
Os docentes reivindicavam aumento de 18% no salário-base e equiparação dos vencimentos dos aposentados com os servidores da ativa --atualmente, a diferença é de cerca de 30%.
O governo propôs um aumento médio de 9,75% e a diminuição da diferença entre ativos e inativos. Também foi criada uma quinta classe na carreira, o que irá ajudar na progressão dos servidores.
As medidas vão gerar um impacto de R$ 650 milhões na folha de pagamento de 2006 --valor reservado pela área econômica do governo Lula para a política de reajuste do setor.
A greve expôs problemas com a carreira docente. Um deles é a forma como o salário é constituído: 75% de gratificações e 25% de salário-base. Esse sistema é considerado instável por professores, reitores e pelo próprio MEC.
"As gratificações podem ser retiradas de uma hora para outra", disse o vice-presidente do Andes. O ministério determinou a criação de um grupo de trabalho para analisar mudanças nesse sistema.
Atualmente, a maioria dos professores ganha entre R$ 700 e R$ 1.089 de salário-base. Esses são os valores pagos a professores-adjuntos, com dedicação exclusiva.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre greves nas federais
Universidades federais encerram greve
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FÁBIO TAKAHASHIda Folha de S.Paulo
Os professores das universidades federais encerraram ontem uma greve que durou 112 dias --a maior da história da categoria. Eles reivindicavam melhores condições salariais.
A mais longa paralisação na rede até então havia ocorrido em 2001, quando os docentes ficaram parados por 108 dias.
Os professores retornaram ontem ao trabalho, após o comando nacional de greve ter aprovado na semana passada um indicativo para que as atividades voltassem ao normal. A decisão, então, foi analisada em cada universidade.
Apenas quatro instituições decidiram manter o movimento (Federal de Viçosa, Federal de Ciências Agrárias do Pará, Federal de Sergipe e Federal de Patos, no Pará), mas as atividades devem retornar ainda hoje, segundo o comando de greve.
A paralisação chegou a atingir 39 das 61 instituições federais de ensino superior. Agora, cada uma irá decidir o calendário de reposição. Não há registro de perda do semestre letivo em nenhuma dessas universidades.
Em São Paulo, a Unifesp aderiu ao movimento, que durou 56 dias na instituição. As turmas dos dois primeiros anos de todos os cursos ficaram praticamente sem aulas.
Apesar do fim da greve, o movimento não concordou com a proposta apresentada pelo MEC (Ministério da Educação). Mas os professores avaliaram que não havia mais condições de alterar o texto, pois o governo Lula encerrou as negociações e enviou um projeto de lei para o Congresso para impor a sua proposta.
"Não tinha mais sentido continuarmos a paralisação", afirmou o vice-presidente do Andes (sindicato dos docentes), Paulo Rizzo.
Os docentes reivindicavam aumento de 18% no salário-base e equiparação dos vencimentos dos aposentados com os servidores da ativa --atualmente, a diferença é de cerca de 30%.
O governo propôs um aumento médio de 9,75% e a diminuição da diferença entre ativos e inativos. Também foi criada uma quinta classe na carreira, o que irá ajudar na progressão dos servidores.
As medidas vão gerar um impacto de R$ 650 milhões na folha de pagamento de 2006 --valor reservado pela área econômica do governo Lula para a política de reajuste do setor.
A greve expôs problemas com a carreira docente. Um deles é a forma como o salário é constituído: 75% de gratificações e 25% de salário-base. Esse sistema é considerado instável por professores, reitores e pelo próprio MEC.
"As gratificações podem ser retiradas de uma hora para outra", disse o vice-presidente do Andes. O ministério determinou a criação de um grupo de trabalho para analisar mudanças nesse sistema.
Atualmente, a maioria dos professores ganha entre R$ 700 e R$ 1.089 de salário-base. Esses são os valores pagos a professores-adjuntos, com dedicação exclusiva.
Especial

