Educação
10/01/2006 - 09h51

Unicamp vai além da "decoreba"

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CONSTANÇA TATSCH
da Folha de S.Paulo

Todos os alunos vão ter que responder às questões dissertativas de todas as disciplinas. Para cada uma delas, apenas dez minutos. Se por um lado é difícil, o vestibular da Unicamp, que acontece entre os próximos dias 15 e 18, tem lá suas vantagens.

Professores de cursinho ouvidos pela Folha dizem que a prova, em geral, costuma ser muito bem elaborada. "Ela é feita para avaliar, e não eliminar, sem criar dificuldades artificiais", afirma Carlos Eduardo Bindi, coordenador do cursinho Etapa.

Segundo ele, o exame distribui bem a dificuldade pois as questões, além de terem níveis diferentes, são colocadas de forma que as mais simples venham em primeiro, assim como os itens mais fáceis também costumam aparecer antes dos mais difíceis. Além disso, a tendência é realizar um exame menos complicado. "Há um cuidado para fazer uma prova mais acessível", diz Bindi.

O coordenador de pesquisa da Comvest, Maurício U. Kleinke, explica que a intenção da Unicamp é montar uma prova que não seja "conteudista", ou seja, um exame em que os alunos possam desenvolver o raciocínio.

"[Tentamos fazer] uma prova que evite conhecimento decorado. A gente tenta fornecer as informações para que sejam trabalhadas, elaboradas e devolvidas para correção", afirma.

Dificuldades

Elogios à parte, o professor Alberto do Nascimento, coordenador do Anglo, é bastante enfático: "É um vestibular terrível. A prova da Unicamp é para o aluno que sabe mesmo".

Como todos os vestibulandos são obrigados a fazer as provas dissertativas nas oito disciplinas, a formação geral do estudante é avaliada --com o agravante de que não é permitido zerar em nenhuma delas.

Um pequeno alento para aquele aluno de humanas que detesta química e física é que as matérias têm pesos diferentes, de acordo com a carreira escolhida.

Uma das maiores dificuldades, para Nascimento, é a questão do tempo. Com apenas dez minutos, em média, para cada questão, a sugestão do coordenador é "bater os olhos e responder". "Não dá para pensar muito: não sabe, pula", aconselha.

O professor Antonio Mario Salles, coordenador pedagógico do Objetivo, vai na mesma linha. "Eu acho que é muito puxado." Ele conta que há um projeto em estudo que visa diminuir o número de questões por disciplina, de 12 para dez, como acontece na Fuvest. Para enfrentar a maratona, nunca é demais avisar: "É importante ir bem descansado".

Kleinke, da Comvest, explica que algumas questões são simples e podem ser realizadas em apenas quatro minutos, o que daria um tempo maior para as perguntas mais complexas. Ele aconselha que os alunos façam uma leitura apurada de cada enunciado, pois muitas informações podem estar contidas nele.

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