03/03/2006
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09h50
da Folha de S.Paulo
Os professores que agora forem contratados na PUC-SP receberão um salário até 56% menor do que antes da crise financeira, que levou à demissão de 447 docentes (30% do total). Cerca de 70 pessoas deverão ser admitidas nas próximas semanas já com essa nova faixa salarial.
A redução ocorrerá nos dois anos iniciais do professor na universidade, período chamado de probatório. Antes, quem estivesse na "fase de teste" já recebia como um profissional do quadro fixo.
Exemplo: um assistente-doutor tem salário de R$ 7.300; com a mudança, quem estiver nessa função, mas na fase probatória, receberá R$ 3.200. Em outros cargos, as quedas ficam entre 36% e 44%. A PUC afirma que os novos valores têm como base os da USP.
Após o período probatório, se o docente for bem avaliado e houver vaga, ele entrará no quadro permanente e terá os mesmos benefícios e salários que os demais.
"Esse período já existia. O que mudou foi a faixa salarial. Definimos isso na semana passada, após negociação com a Fundação São Paulo [mantenedora da PUC; a posição da Arquidiocese de São Paulo é predominante em relação à da reitoria]", disse ontem a vice-reitora acadêmica, Bader Sawaia.
Questionada se esse salário menor não pode trazer perda de qualidade acadêmica, Sawaia disse que "isso é uma preocupação". Porém, ela avalia que, como o professor poderá entrar na carreira regular após os dois anos, a universidade continua atrativa.
Para Erson de Oliveira, diretor da Apropuc (associação dos docentes), "o objetivo é claro: demitir professores antigos e contratar outros mais baratos". Ele disse também que o rebaixamento salarial obriga os professores a ficarem mais tempo na sala de aula e menos tempo pesquisando. Além disso, a redução força o docente a trabalhar em outra escola. "Isso afeta a qualidade acadêmica."
Já para o professor Eduardo Cruz, do movimento PUC Livre (que surgiu por discordar da Apropuc), a contratação de docentes "traz novas visões para a universidade". Ele declarou, no entanto, que a perda de experiência também deve ser considerada.
Contratações
Cerca de 70 contratações já estão em curso na PUC. Esses professores irão cobrir a primeira onda de demissões, feita pela reitoria, em que 261 foram cortados.
Essas demissões, somadas a medidas administrativas, geraram um corte de cerca de 75% do déficit mensal da universidade (R$ 4,3 milhões). O enxugamento não foi aceito pelos bancos (a quem a PUC deve R$ 82 milhões) e, no mês passado, os representantes da Arquidiocese de São Paulo na Fundação São Paulo escolheram outros 211 para serem demitidos --a reitoria reverteu 25.
A PUC está finalizando a avaliação da segunda onda de cortes. Mesmo assim, a vice-reitora acadêmica afirma que "poucas" disciplinas ficarão sem professor neste começo de semestre letivo.
Ontem, no primeiro dia de aula, o trote atraiu quase todos os alunos presentes. Apesar de algumas faixas de protesto na universidade, o clima era de descontração. "Os veteranos me contaram que a PUC está em crise. Mas hoje o pessoal quer é curtir", disse Bruno Bianchi, 18, calouro de turismo, sem cabelo e com o rosto pintado.
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FÁBIO TAKAHASHIda Folha de S.Paulo
Os professores que agora forem contratados na PUC-SP receberão um salário até 56% menor do que antes da crise financeira, que levou à demissão de 447 docentes (30% do total). Cerca de 70 pessoas deverão ser admitidas nas próximas semanas já com essa nova faixa salarial.
A redução ocorrerá nos dois anos iniciais do professor na universidade, período chamado de probatório. Antes, quem estivesse na "fase de teste" já recebia como um profissional do quadro fixo.
Exemplo: um assistente-doutor tem salário de R$ 7.300; com a mudança, quem estiver nessa função, mas na fase probatória, receberá R$ 3.200. Em outros cargos, as quedas ficam entre 36% e 44%. A PUC afirma que os novos valores têm como base os da USP.
Após o período probatório, se o docente for bem avaliado e houver vaga, ele entrará no quadro permanente e terá os mesmos benefícios e salários que os demais.
"Esse período já existia. O que mudou foi a faixa salarial. Definimos isso na semana passada, após negociação com a Fundação São Paulo [mantenedora da PUC; a posição da Arquidiocese de São Paulo é predominante em relação à da reitoria]", disse ontem a vice-reitora acadêmica, Bader Sawaia.
Questionada se esse salário menor não pode trazer perda de qualidade acadêmica, Sawaia disse que "isso é uma preocupação". Porém, ela avalia que, como o professor poderá entrar na carreira regular após os dois anos, a universidade continua atrativa.
Para Erson de Oliveira, diretor da Apropuc (associação dos docentes), "o objetivo é claro: demitir professores antigos e contratar outros mais baratos". Ele disse também que o rebaixamento salarial obriga os professores a ficarem mais tempo na sala de aula e menos tempo pesquisando. Além disso, a redução força o docente a trabalhar em outra escola. "Isso afeta a qualidade acadêmica."
Já para o professor Eduardo Cruz, do movimento PUC Livre (que surgiu por discordar da Apropuc), a contratação de docentes "traz novas visões para a universidade". Ele declarou, no entanto, que a perda de experiência também deve ser considerada.
Contratações
Cerca de 70 contratações já estão em curso na PUC. Esses professores irão cobrir a primeira onda de demissões, feita pela reitoria, em que 261 foram cortados.
Essas demissões, somadas a medidas administrativas, geraram um corte de cerca de 75% do déficit mensal da universidade (R$ 4,3 milhões). O enxugamento não foi aceito pelos bancos (a quem a PUC deve R$ 82 milhões) e, no mês passado, os representantes da Arquidiocese de São Paulo na Fundação São Paulo escolheram outros 211 para serem demitidos --a reitoria reverteu 25.
A PUC está finalizando a avaliação da segunda onda de cortes. Mesmo assim, a vice-reitora acadêmica afirma que "poucas" disciplinas ficarão sem professor neste começo de semestre letivo.
Ontem, no primeiro dia de aula, o trote atraiu quase todos os alunos presentes. Apesar de algumas faixas de protesto na universidade, o clima era de descontração. "Os veteranos me contaram que a PUC está em crise. Mas hoje o pessoal quer é curtir", disse Bruno Bianchi, 18, calouro de turismo, sem cabelo e com o rosto pintado.
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