Educação
11/03/2006 - 09h58

Escola pública sofre com falta de servidores

Publicidade
FÁBIO TAKAHASHI
SIMONE HARNIK
da Folha de S.Paulo

As escolas municipais de São Paulo estão com um déficit de 2.300 funcionários, o que representa 24% do número considerado ideal (9.700).

O levantamento foi feito pela própria gestão do prefeito José Serra (PSDB), ao qual a Folha teve acesso.

Esses funcionários, chamados de agentes escolares, são responsáveis principalmente pela merenda e pela limpeza dos colégios.

A carência faz com que as funções sejam distribuídas entre o quadro ativo, o que causa uma sobrecarga. Também há prejuízo aos alunos. Foi o que ocorreu na Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Joaquim Antônio da Rocha, no Ipiranga (zona sul de São Paulo), no mês passado.

Duas das seis vagas de agente na escola estão abertas. Por isso, quando a funcionária da cozinha teve um problema e não compareceu, cerca de cem crianças, de três a seis anos, tiveram de ser dispensadas. "Não havia ninguém que pudesse fazer comida, e não podíamos deixar as crianças com fome", contou uma funcionária que não quis ser identificada.

"No dia-a-dia, a escola precisa ser varrida três vezes. Passamos a varrer só uma. Os banheiros tinham de ser limpos três vezes, passaram a ser limpos uma só", relatou a funcionária.

Em outra escola municipal, no Cambuci (zona sul), das seis vagas necessárias para agente, apenas duas estão preenchidas. A assistente da direção (segundo maior cargo da escola) conta que já teve de limpar banheiro. "O que vamos fazer? Não podemos deixar os banheiros sujos. O problema é que isso prejudica as nossas funções normais", relata.

Uma escola municipal na zona leste chega a substituir o prato quente por sanduíche por falta de funcionários.

"Essa é uma deficiência crônica", diz o presidente da Aprofem (sindicatos dos professores e funcionários), Ismael Palhares Jr.

Devido ao déficit, o presidente do Sinpeem (sindicato dos profissionais em educação), Claudio Fonseca, vê problemas no andamento do projeto "São Paulo é uma Escola", uma das prioridades do governo Serra, que permite aos estudantes terem mais tempo de atividades --o que demanda mais funcionários.

Pregão

A demanda por agentes escolares é definida com base no tamanho das 1.840 escolas municipais. Ela vale para toda a rede, do ensino infantil ao fundamental. "O déficit desses funcionários hoje é o quadro mais preocupante para a gente", admite o assistente-técnico da secretaria Valdecier Pelissoni. A pasta informou que não há dados de períodos anteriores.

Pelissoni afirma que o problema "vem de anos", causado por aposentadorias, criação de escolas e pelo próprio fluxo dentro da rede (um agente pode prestar concurso e sair da função).

Ele também afirmou que o problema começará a ser resolvido ainda neste mês, com a realização de um pregão para escolher empresas que farão contratações emergenciais, cujo pessoal trabalhará pelo prazo de um ano.

"A terceirização é ruim. Os agentes são educadores, que precisam ter vínculos com a escola e com o aluno. Não podem ficar um ano e sair", diz Maria Benedita de Andrade, presidente do Sinesp (sindicato dos especialistas de educação do ensino público).

Secretaria faz contratação de emergência

A Secretaria Municipal de Educação afirmou que até o final deste mês o déficit de 2.300 agentes escolares começará a ser resolvido por meio de uma contratação emergencial que já está em andamento.

O assistente-técnico da pasta Valdecier Pelissoni, designado pela secretaria para falar sobre o assunto, disse que um pregão escolheu as empresas que serão responsáveis pelas contratações. Sem informar dados precisos, ele afirmou que a medida "praticamente" acabará com o déficit .

Segundo Pelissoni, o pregão foi finalizado na semana passada, e as empresas escolhidas estão contratando os funcionários. A previsão é que eles comecem a trabalhar até o final deste mês.

Esses contratos emergenciais terão a duração de um ano. A secretaria estuda abrir um concurso público.

"Optamos pelo pregão porque a situação é preocupante. Um concurso demoraria muito para ser concluído. As escolas não podem esperar", disse Pelissoni.

Especial
  • Leia o que já foi publicado sobre escolas públicas
  •  

    FolhaShop

    Digite produto
    ou marca