16/05/2006
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10h56
da Folha de S.Paulo
Cinco horas de prova, nervosismo, insegurança, cem testes e, depois de tudo isso, ainda falta a segunda fase dos exames. As semelhanças de um vestibular com o exame da Ordem dos Advogados do Brasil, necessário para que o graduado em direito exerça a profissão, não são poucas. É por isso que o candidato a uma vaga em direito precisa ter em mente que, no final da graduação, terá de novamente enfrentar uma preparação similar à do vestibular.
E, para a aprovação, desde musiquinha com decoreba de lei até cursinhos especializados entram na jogada. Também, pudera: o último exame, realizado em janeiro e em fevereiro, teve aprovação de apenas 11,42% dos inscritos. E esse não é o recorde de reprovação. No exame 126, somente 7,16% dos bacharéis foram aprovados. As médias de reprovação chegam a ser maiores do que as dos processos seletivos para universidades, que têm vagas limitadas.
Há uma semana, mais uma edição do exame foi aplicada no Estado de São Paulo. No total, 20.975 candidatos fizeram a primeira fase. Em fila, às 7h, no friozinho de uma manhã de domingo, candidatos como Camila Volpe, 22, esperavam a abertura dos portões. "Já fiz a prova uma vez e estou apavorada do mesmo jeito, porque sei que perder um ponto pode reprovar", disse. A amiga Andressa Ferri, 22, no entanto, afirmou que não via o exame como um grande problema. "Se não passar desta vez, tento daqui a três meses. Isso não vai mudar a minha vida."
Desde que foi instituída por lei, em 1994, a prova é obrigatória para quem quer trabalhar como advogado. O exame é criticado por entidades que representam o ensino superior privado, que afirmam que a prova quer reservar o mercado profissional para os advogados que já estão na ativa.
Há bacharéis inclusive que pretendem contestar a obrigatoriedade da prova na Justiça. É o caso de Reynaldo Arantes, 41, que prestou o exame 128 e criou até comunidade no Orkut para reunir os descontentes. "É a educação que deve formar o profissional. A responsabilidade da OAB é a de fiscalizar o profissional, não de censurá-lo antes de começar na profissão."
A OAB se defende e coloca a culpa de tamanha reprovação na formação dos candidatos. "Depois que houve o maior índice de reprovação, reunimos as faculdades e elas estão fazendo um esforço. Mas a deficiência continua muito grande. Tem alunos com problemas que vêm do ensino básico", afirma Ivette Senise Ferreira, presidente da Comissão de Estágio e de Exame de Ordem da OAB.
"A gente verifica no exame que o nível das faculdades está caindo bastante", afirma Flávio Martins, um dos coordenadores do cursinho Damásio de Jesus.
Dificuldade
O nível de cobrança do exame de Ordem é outra diferença que a prova guarda em relação ao vestibular. "Em algumas matérias, o exame da OAB não avalia o mínimo necessário para que o candidato possa exercer a profissão. O vestibular costuma pedir as noções fundamentais das matérias", diz Elisabete Teixeira Vido dos Santos, coordenadora pedagógica do Curso Prima. "Às vezes, caem detalhes que o candidato não vai ver durante sua vida profissional inteira", diz.
Mas o tempo de dedicação aos estudos de um bacharel é bem semelhante ao de um pré-universitário. Depois do trabalho na área do direito, Andréia Belavenuto, 28, ainda encontra tempo para mais quatro horas de cursinho e duas de estudo. "E no fim de semana dá para fazer umas oito horas de estudo em cada dia", conta.
Preparando-se para a segunda fase, que é dissertativa como nos principais processos seletivos para as faculdades, Andréia afirma que não é hora de deixar de lado os estudos. Mas, diferentemente do ingresso na universidade, o bacharel pode se beneficiar da experiência do trabalho para fazer as provas da segunda fase. "Como eu trabalhei mais com direito penal, tenho mais prática para responder a essas questões", diz.
"Existe um menor número de peças penais. Isso faz com que muitos optem por essa matéria na segunda fase", diz Flávio Monteiro de Barros, do cursinho FMB.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre o Exame de Ordem
OAB reprova como um vestibular
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SIMONE HARNIKda Folha de S.Paulo
Cinco horas de prova, nervosismo, insegurança, cem testes e, depois de tudo isso, ainda falta a segunda fase dos exames. As semelhanças de um vestibular com o exame da Ordem dos Advogados do Brasil, necessário para que o graduado em direito exerça a profissão, não são poucas. É por isso que o candidato a uma vaga em direito precisa ter em mente que, no final da graduação, terá de novamente enfrentar uma preparação similar à do vestibular.
E, para a aprovação, desde musiquinha com decoreba de lei até cursinhos especializados entram na jogada. Também, pudera: o último exame, realizado em janeiro e em fevereiro, teve aprovação de apenas 11,42% dos inscritos. E esse não é o recorde de reprovação. No exame 126, somente 7,16% dos bacharéis foram aprovados. As médias de reprovação chegam a ser maiores do que as dos processos seletivos para universidades, que têm vagas limitadas.
Há uma semana, mais uma edição do exame foi aplicada no Estado de São Paulo. No total, 20.975 candidatos fizeram a primeira fase. Em fila, às 7h, no friozinho de uma manhã de domingo, candidatos como Camila Volpe, 22, esperavam a abertura dos portões. "Já fiz a prova uma vez e estou apavorada do mesmo jeito, porque sei que perder um ponto pode reprovar", disse. A amiga Andressa Ferri, 22, no entanto, afirmou que não via o exame como um grande problema. "Se não passar desta vez, tento daqui a três meses. Isso não vai mudar a minha vida."
Desde que foi instituída por lei, em 1994, a prova é obrigatória para quem quer trabalhar como advogado. O exame é criticado por entidades que representam o ensino superior privado, que afirmam que a prova quer reservar o mercado profissional para os advogados que já estão na ativa.
Há bacharéis inclusive que pretendem contestar a obrigatoriedade da prova na Justiça. É o caso de Reynaldo Arantes, 41, que prestou o exame 128 e criou até comunidade no Orkut para reunir os descontentes. "É a educação que deve formar o profissional. A responsabilidade da OAB é a de fiscalizar o profissional, não de censurá-lo antes de começar na profissão."
A OAB se defende e coloca a culpa de tamanha reprovação na formação dos candidatos. "Depois que houve o maior índice de reprovação, reunimos as faculdades e elas estão fazendo um esforço. Mas a deficiência continua muito grande. Tem alunos com problemas que vêm do ensino básico", afirma Ivette Senise Ferreira, presidente da Comissão de Estágio e de Exame de Ordem da OAB.
"A gente verifica no exame que o nível das faculdades está caindo bastante", afirma Flávio Martins, um dos coordenadores do cursinho Damásio de Jesus.
Dificuldade
O nível de cobrança do exame de Ordem é outra diferença que a prova guarda em relação ao vestibular. "Em algumas matérias, o exame da OAB não avalia o mínimo necessário para que o candidato possa exercer a profissão. O vestibular costuma pedir as noções fundamentais das matérias", diz Elisabete Teixeira Vido dos Santos, coordenadora pedagógica do Curso Prima. "Às vezes, caem detalhes que o candidato não vai ver durante sua vida profissional inteira", diz.
Mas o tempo de dedicação aos estudos de um bacharel é bem semelhante ao de um pré-universitário. Depois do trabalho na área do direito, Andréia Belavenuto, 28, ainda encontra tempo para mais quatro horas de cursinho e duas de estudo. "E no fim de semana dá para fazer umas oito horas de estudo em cada dia", conta.
Preparando-se para a segunda fase, que é dissertativa como nos principais processos seletivos para as faculdades, Andréia afirma que não é hora de deixar de lado os estudos. Mas, diferentemente do ingresso na universidade, o bacharel pode se beneficiar da experiência do trabalho para fazer as provas da segunda fase. "Como eu trabalhei mais com direito penal, tenho mais prática para responder a essas questões", diz.
"Existe um menor número de peças penais. Isso faz com que muitos optem por essa matéria na segunda fase", diz Flávio Monteiro de Barros, do cursinho FMB.
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